O mundo se tornou menos pacífico do que era no ano passado, segundo a edição mais recente do Índice Global da Paz (GPI, na sigla em inglês), divulgado neste mês. O nível geral de paz piorou em 99 países, marcando o 12º ano consecutivo de deterioração global. Leia mais (06/24/2026 - 14h42)
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
24.jun.2026 às 14h42
O Brasil, por outro lado, foi da 130ª posição do ano passado para o 124º lugar no ranking de 2026. Com isso, o país deixou a faixa considerada de baixo nível de paz e passou para a categoria "média" —isso porque o relatório organiza os países em cinco níveis de paz, que vão de "muito alto", "alto", "médio", "baixo" e "muito baixo".
Ainda assim, em meio ao cenário geral de piora, um pequeno grupo de nações continua se destacando. "Essa queda catastrófica praticamente não afetou os países que estão no topo", afirmou Steve Killelea, fundador e presidente-executivo do Instituto para Economia e Paz, responsável pela criação do índice em 2007.
O ranking avalia 163 países com base em 23 indicadores, entre eles gastos militares, conflitos em andamento, taxas de homicídio e percepção de segurança. Os países mais bem colocados costumam reunir baixos níveis de violência, instituições eficientes, alta confiança social, boas relações com países vizinhos e elevada qualidade de vida.
Conversamos com moradores dos cinco países mais seguros do mundo para entender como essa segurança é vivida no cotidiano, o que ajuda a sustentá-la e como os turistas também podem experimentar um pouco dessa calma e estabilidade.
A Islândia lidera o índice desde 2008 e continua sendo o país mais seguro do mundo pelo 19º ano consecutivo, segundo o levantamento. Em 2026, registrou uma melhora de 2%, impulsionada por uma forte queda em manifestações violentas, e segue entre os países mais bem avaliados em segurança, com baixos níveis de conflito e reduzida militarização.
"A sensação de paz está em toda parte na Islândia, na natureza que nos cerca, mas também é uma escolha consciente baseada em comunidades bastante unidas", afirmou Oddný Arnarsdóttir, diretora da Visit Iceland. Ela atribui isso ao forte compromisso do país com a igualdade, incluindo igualdade de gênero, área em que a Islândia costuma aparecer entre os líderes mundiais, além de serviços públicos sólidos e amplo uso de energia renovável.
Esse compromisso vai além das políticas públicas, com os moradores pontuando um forte senso de coesão social e responsabilidade coletiva. "Temos muita consciência da sorte que é viver com essa sensação de tranquilidade", disse Arnarsdóttir. "Isso reforça a importância de manter uma sociedade aberta e inclusiva."
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
A localização remota do país também contribui. "O isolamento geográfico da Islândia faz com que ela fique menos envolvida nas tensões globais", afirmou Eyrún Aníta Gylfadóttir, gerente de marketing do Hotel Rangá. "As paisagens abertas, as montanhas dramáticas, o ar puro e a abundância de água fresca desempenham um papel central na qualidade de vida aqui."
Para experimentar o ritmo mais tranquilo da Islândia, Arnarsdóttir recomenda desacelerar e passar mais tempo ao ar livre, em vez de correr entre atrações turísticas. Vivenciar a cultura dos banhos termais também deveria estar no roteiro. O país possui mais de 120 piscinas geotérmicas, desde spas de luxo até piscinas de bairro frequentadas pelos moradores durante todo o ano. "Experimentar a calma da Islândia está diretamente ligado ao bem-estar", afirmou Arnarsdóttir. "Seja por meio da cultura dos banhos geotérmicos, do contato com a natureza ou simplesmente pela possibilidade de se desconectar."
A gerente também recomenda que os visitantes explorem atrações além dos pontos turísticos mais famosos. Arnarsdóttir destaca os mais de 220 museus espalhados pelo país, entre eles o Museu Nacional, na capital, e o Museu Islandês dos Monstros Marinhos, nos Westfjords. "Eu amo nossos museus excêntricos", disse. "Esses espaços ajudam a preservar histórias e tradições locais e também incentivam as pessoas a viajar mais pelo país e conhecer diferentes regiões da Islândia."
A Nova Zelândia ocupa o segundo lugar no ranking (em 2025 ela estava em terceiro lugar) e é o país mais seguro da região Ásia-Pacífico, além de apresentar o menor índice de conflitos em andamento da região. A melhora foi impulsionada principalmente pela queda nas importações de armas, e o país continua entre os menos militarizados e mais seguros do mundo.
Grande parte dessa tranquilidade está ligada à geografia. "Estar tão distante de quase tudo fez com que a Nova Zelândia evitasse boa parte das tensões geopolíticas que arrastam outros países para conflitos", afirmou Warwick Woodley, cidadão neozelandês e fundador da NZ Golden Visa. Mas ele também vê uma explicação cultural. Segundo Woodley, os neozelandeses tendem a ser mais tranquilos e diretos, "geralmente mais interessados em seguir com a vida do que em criar conflitos".