Ministro pede mais tempo para apreciar questão de ordem após discussão entre Gilmar Mendes e André Mendonça e diz que pedido de vista ocorreu porque Fachin não tomou 'providências'.

Role, Da BBC news Brasil em São PauloPublished 16 setembro 2026Tempo de leitura: 8 minO julgamento de terça-feira (15/9) no Supremo Tribunal Federal (STF) foi suspenso sem que nenhuma decisão fosse tomada pelos ministros da Corte.

A sessão foi convocada pelo presidente, ministro Edson Fachin, para análise da petição 16.662, sobre o relatório da Polícia Federal (PF), no âmbito do Caso Master, relacionado ao ministro Alexandre de Moraes.

Mas o plenário não chegou a analisar a petição. Passaram o dia debatendo uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes por sugestão de Flávio Dino.

A proposta era unificar o julgamento de terça com o que está marcado para a quarta-feira (23/9), sobre a petição 16.704, baseada em relatório de inteligência da PF que sugere irregularidades na condução do caso Master pelo relator, ministro André Mendonça.

O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo o julgamento que ainda não tem data para voltar.

Mas o pedido de vista, que ocorre quando se precisa de mais tempo para analisar a questão, ocorreu porque, segundo Dino, Fachin não tomou"providências" pela ordem no tribunal.

"Ministro Fachin, com todo o respeito, se vossa excelência não toma providência, eu vou pedir vista", afirmou. "O poder de polícia da sessão compete à vossa excelência."

15 setembro 2026Moraes e Mendonça deveriam ser impedidos de votar? Juristas respondem perguntas de leitores da BBC sobre sessão histórica do STF15 setembro 2026Filme de Bolsonaro: Dino retira sigilo de material da polícia de SP sobre financiamento de 'Dark Horse'14 setembro 2026Fim do content

A intervenção de Dino ocorreu durante uma discussão iniciada por Gilmar Mendes, que interrompeu Mendonça, enquanto ele respondia ao agradecimento de Paulo Gonet pela confiança na PGR.

Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil

Fim do Promoção Agregador de pesquisas

"Só para fazer então referência ao doutor Paulo, eu tento ser justo. Ninguém gostaria de estar aqui. Estamos aqui por dever de ofício e a gente pode até avaliar se não deveria ter feito isso, talvez hoje, conhecendo os fatos...", dizia Mendonça.

"É impressionante a desfaçatez desse sujeito", interrompeu Mendes. O tom da discussão subiu e o presidente da corte não conseguiu arrefecer os ânimos.

Dino então disse que tomaria uma providência e pediu vista.

"Vossa excelência está assistindo a isso há horas e está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se vossa excelência vai assistir a isso, eu não vou. Porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele", disse Dino. "Eu tenho que interromper essa situação."

O presidente da corte não reagiu. Dino seguiu, chamou a sessão de "desastrada" e disse que Fachin estava condenado a marcar "dezenas de outras sessões" como a desta terça.

"E por que, ministro Flávio?", questionou Fachin.

"Presidente....As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kássio, as mensagens relativas ao ministro André... Nós vamos parar onde? Eu imaginava que vossa excelência tinha pensado nisso", disse Dino, o que poderia ser interpretado como relacionar os ministros a possíveis mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

"Mensagem comigo não tem. Nunca vi esse cidadão na minha vida. Nunca tive relação com ele. Só se você está se baseando nesses inquéritos que surgem do nada", interrompeu Fux.

O pedido de vista de Dino foi determinante para a sessão acabar sem nenhuma conclusão, mas não foi o único momento do dia em que ele "sequestrou" o debate na corte, como avalia Ana Laura Barbosa, professora de Direito da FGV-SP e do Insper.