Julgamento de petição que implica Alexandre de Moraes no caso Master foi marcado por discursos pedindo união e bate-bocas.

O 15 de setembro de 2026 deve se tornar um marco na história recente do Supremo Tribunal Federal (STF) — e como cada ministro da Corte agiu nesta sessão extraordinária vai ajudar a contar essa história.

A Corte se reuniu na terça-feira para analisar os impactos do escândalo do Banco Master no STF. Os ministros estão analisando um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a nulidade de um relatório da Polícia Federal (PF) que traz acusações contra Alexandre de Moraes, feito a pedido de seu colega André Mendonça.

Caso o relatório seja considerado válido, os ministros deverão decidir então se Moraes deve ser formalmente investigado por seu envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Master que está preso.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino. Ele tem prazo de 90 dias corridos para devolver esse pedido, liberando a pauta para julgamento de novo.

Na terça-feira, os ministros avaliaram também um pedido de ordem apresentado pelo decano Gilmar Mendes para que a petição que trata das acusações contra Moraes (PET 16.662) seja julgada junto com uma petição que trata de acusações contra André Mendonça (PET 16.704) levadas à frente por Moraes, em um contra-ataque.

Por enquanto, há quatro votos contrários a essa junção contra três favoráveis. Flávio Dino indicou ser favorável à junção, o que levaria o placar a um empate, mas seu voto ainda não foi computado devido ao pedido de vista que fez.

O STF tem atualmente 10 ministros — a 11ª cadeira está vaga.

Dois deles se declararam impedidos de participar da sessão, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

Enquanto isso, os ministros que participaram ativamente do julgamento tiveram condutas variadas — alguns mais contidos, outros protagonizando bate-bocas e outros fazendo discursos pela união do STF.

Confira como agiu cada ministro do STF na sessão extraordinária desta terça-feira.

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Moraes, que na véspera da sessão enviou ao STF uma manifestação afirmando não ter cometido qualquer irregularidade, confirmou na terça-feira que votaria no julgamento sobre ele mesmo.

Como já havia defendido anteriormente, ele votou para que seu caso e o de Mendonça sejam julgados juntos.

Moraes também refutou a possibilidade de que uma investigação possa ser aberta contra ele, argumentando não haver pedido das autoridades competentes para que isso aconteça.

"Não há pedido nem da Polícia, nem da Procuradoria-Geral da República, não há imputação. Todas as provas não foram enviadas e o prazo foi de cinco dias. Estamos numa miscelânea procedimental."

Moraes também protagonizou bate-bocas com Mendonça.

Após quase duas horas do início do julgamento, ele acusou abertamente o colega.

"Não há como julgar hoje [sua situação] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?", perguntou Moraes.

"Não é questão de medo não", respondeu Mendonça.