Mensagens apreendidas e depoimentos de policiais levaram os investigadores a apurar a relação do ex-vereador com a Transwolff, empresa suspeita de ligação c...
20/09/2026 22h13 Atualizado 20/09/2026
"Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal todo", diz em mensagem um integrante do PCC.
A polícia de São Paulo fez uma operação para combater a atuação do PCC no setor de transportes. Onze pessoas foram presas, entre elas, Milton Leite, um importante líder político da capital, suspeito de envolvimento no esquema.
Uma denúncia anônima abriu uma porta que a polícia não imaginava onde ia dar. Em 2023, a polícia apreendeu drogas em uma casa em Itaquaquecetuba (SP) e encontrou, no mesmo local, a esposa de um integrante do PCC.
A mulher passou a ser monitorada, após a polícia suspeitar que ela fosse o elo entre integrantes do PCC presos e criminosos que estavam nas ruas.
Meses depois, um celular apreendido abriu uma nova frente de investigação. A partir desse aparelho, os investigadores identificaram outros celulares e novas conversas. Em uma delas, os policiais identificaram suspeitas no sistema de transporte público.
"Nós identificamos 12 empresas de transporte que teriam envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital", diz Fabricio Intelizano, delegado da Polícia Civil de Mogi das Cruzes.
Um levantamento do g1 aponta que essas 12 empresas operam todas as linhas de bairro em São Paulo e, juntas, transportam 41% de todos os passageiros.
Desde os anos 90, o PCC já era suspeito de atuar no transporte clandestino em São Paulo. A operação desta semana tenta descobrir como criminosos conseguiram firmar contratos com as prefeituras.
Entre tantos outros celulares, a investigação chegou dentro do próprio poder público: SP Trans, empresa que gerencia o transporte de ônibus da cidade.
Mensagens apreendidas revelam reuniões periódicas do então presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, com um intermediador ligado ao PCC.
Levi esteve duas vezes no comando da SPTrans: em 2020 e de 2022 a 2025.
O relatório da investigação afirma que "Levi tem conhecimento da atuação do crime organizado nessa fatia do poder público".
A defesa de Levi declarou em nota que não há qualquer interação dele com demais investigados, tampouco indícios mínimos de vantagem indevida recebida, favorecimento concedido ou qualquer contribuição para atividade criminosa.
A partir daí, a investigação chegou a outro nível de poder: a Milton Leite, citado em mensagens encontradas no celular.
"Eu acho que vai envolver Milton Leite, o pessoal todo", diz em mensagem um integrante do PCC.
Milton Leite chegou à Câmara Municipal em 1997. Foi relator da CPI da Máfia dos Fiscais. Em quase 30 anos de mandato, presidiu a Câmara por seis anos, mais tempo que qualquer outro vereador.
Ele deixou o Legislativo, mas comanda, no estado, a federação formada por União Brasil e Progressistas.
Além das mensagens de celular da operação desta semana, depoimentos de policiais prestados à Justiça Militar também colocaram Milton Leite nas investigações sobre o envolvimento do PCC com o transporte público.
Um sargento da Rota disse que foi convidado para fazer a segurança da empresa Transwolff. Essa empresa foi alvo do Ministério Público em 2024, justamente pela suspeita de pertencer ao PCC.




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