Lula busca reduzir distância entre evangélicos, mas o PT orienta campanha fora das igrejas e aposta em ações sociais e música gospel

O presidente Lula quer disputar o voto evangélico na campanha eleitoral, mas orienta o partido a manter a mobilização fora dos púlpitos. A estratégia tenta aumentar o diálogo com um segmento mais alinhado à direita sem transformar igrejas em espaços de disputa política.

Pesquisa Quaest divulgada na sexta (14) dimensionou o desafio para o petista: Lula lidera entre católicos no primeiro turno, com 47%, contra 27% de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o cenário se inverte entre evangélicos: o candidato do PL tem 43%, e Lula, 24%.

Coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa afirmou que a sigla pretende conversar com fiéis sem interferir nas atividades religiosas. “O púlpito é sagrado. Vamos respeitar”, disse o dirigente, que frequenta a Igreja Batista.

Uma das iniciativas em discussão prevê a participação de Lula em um ato gospel no Rio de Janeiro ao lado da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), candidata ao Senado. Evangélica há mais de 60 anos e frequentadora da Igreja Presbiteriana Betânia, Benedita é uma das principais referências do partido entre os religiosos, mas o formato do evento ainda não está definido.

O PT quer criar comitês populares voltados aos evangélicos em todo o país. A ideia é apresentar políticas sociais do governo como medidas ligadas a valores cristãos, com foco em justiça social, redução da desigualdade, proteção às famílias e combate à violência.

A campanha também pretende rebater desinformação sobre Lula e ampliar a circulação de mensagens sobre renda, educação, emprego e políticas direcionadas a famílias e periferias. A música gospel integra a estratégia: a canção “Tapete Vermelho”, da cantora evangélica Lina Luz, acompanhou a primeira postagem de Lula no início oficial da corrida eleitoral, no domingo (16).

Janja da Silva cantou a mesma música com o cantor gospel Kleber Lucas no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, durante o primeiro ato de Lula na busca pelo quarto mandato. O presidente também sancionou, em outubro de 2023, a lei que instituiu o Dia Nacional da Música Gospel e assinou, em dezembro de 2025, decreto que reconheceu a cultura gospel como manifestação da cultura nacional.