Certame inédito de armazenamento de energia deve movimentar R$ 8 bilhões e já movimenta outro segmento

Priorizar nos meus resultados Google A seis meses do primeiro leilão de reserva de capacidade voltado a sistemas de armazenamento de energia em baterias no Brasil, um mercado paralelo já começa a se movimentar: o de seguro garantia.

A Genial estima que a demanda por esse tipo de cobertura cresça mais de 70% na instituição em 2026 na comparação com o ano passado, impulsionada pelos projetos que devem disputar o certame de baterias. O leilão, previsto para dezembro, ainda não teve edital publicado pelo Ministério de Minas e Energia, mas as diretrizes já indicam a necessidade de garantias de proposta e, depois, de fiel cumprimento da potência contratada.

Na prática, os vencedores terão de comprovar capacidade financeira e operacional para entregar os projetos de BESS, sigla em inglês para sistemas de armazenamento de energia em baterias. O seguro garantia entra justamente para cobrir o risco de descumprimento das obrigações assumidas no leilão.

“Temos conversado com diversos players que estão estruturando projetos para o leilão, e a principal preocupação envolve a obtenção das garantias de fiel cumprimento e o custo dessas coberturas”, afirma Valter Notz, diretor de seguros da Genial.

O desafio, segundo ele, é que o Brasil ainda está no marco zero dessa tecnologia. Sem histórico local de performance, seguradoras e resseguradoras terão de calibrar o risco com base na experiência de mercados mais maduros, como Estados Unidos e China.

A expectativa da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia é que o certame movimente cerca de R$ 8 bilhões em investimentos. O valor é aproximadamente 15 vezes superior ao observado nos leilões de energia realizados em 2025.

No horizonte mais longo, a entidade projeta que o setor de armazenamento pode movimentar R$ 77 bilhões até 2034, com 72 GWh de capacidade instalada. Se os números se confirmarem, o leilão de dezembro será não apenas um teste para a matriz elétrica brasileira, mas também para a capacidade do mercado segurador de precificar uma nova fronteira da transição energética.