Em São Paulo, previsão é que tecnologia ajude a recuperar 6,7 bilhões de litros de água. Entenda como ela funciona.
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Introdução A tecnologia de satélite usada para buscar água em Marte agora ajuda a Sabesp a combater vazamentos subterrâneos na Terra. O sistema Asterra, com radar e IA, detecta perdas invisíveis, otimizando reparos e visando recuperar bilhões de litros de água na Grande São Paulo.
Principais Tópicos
Tecnologia espacial: como radar usado em Marte detecta vazamentos de água potável na Terra. Sistema Asterra: combina satélites, algoritmos e IA para identificar perdas invisíveis até 3 metros de profundidade. Adoção pela Sabesp: parceria de R$ 5,9 milhões para mapear a Grande São Paulo e recuperar bilhões de litros. Resultados do piloto: Sabesp encontrou 5 vezes mais vazamentos com a nova tecnologia. Vantagens: detecção precisa de perdas subterrâneas e otimização do trabalho dos geofonistas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Já faz décadas que a ciência estuda Marte. Nesse processo, um dos objetivos é descobrir se o planeta possui reservatórios de água líquida sob sua crosta rochosa. Uma das tecnologias utilizadas para isso são os satélites equipados com sensores SAR (Synthetic Aperture Radar, ou Radar de Abertura Sintética).
O sistema emite sinais de radar (ondas eletromagnéticas em frequência de banda L) que atravessam a atmosfera do planeta e alcançam seu subsolo. Parte dessa energia é refletida de volta e registrada pelos sensores, que conseguem mapear o subsolo e identificar a água com base nas características dos materiais encontrados.
Mas e se essa tecnologia fosse usada na Terra? Foi justamente essa a ideia do geofísico Lauren Guy, que participou do desenvolvimento do SAR. Guy criou a empresa Asterra, que combina os dados coletados pelo radar no planeta Terra com algoritmos e inteligência artificial capazes de detectar especificamente a água potável tratada embaixo do solo.
O sistema identifica a condutividade elétrica (chamada de assinatura eletromagnética) característica da água tratada, associada à presença de cloro. A empresa não é proprietária dos satélites, mas da tecnologia que interpreta os dados gerados por eles.
“As micro-ondas conseguem penetrar até 3 metros de profundidade na Terra, independentemente de haver asfalto, copa de árvores ou outros elementos”, diz Adriano Trovato, diretor da Nortech, que representa a Asterra no Brasil.
Isso permite que empresas de saneamento detectem vazamentos subterrâneos em suas redes de água potável –vazamentos invisíveis, que ainda não afloraram à superfície. Eles são responsáveis pela perda de bilhões de litros de água todos os anos em grandes cidades.
A tecnologia já foi adotada em países como China, Emirados Árabes Unidos e Japão, além de cidades brasileiras como Rio de Janeiro e Curitiba. Recentemente, ela também foi contratada pela Sabesp. Em um acordo de R$ 5,9 milhões, a ferramenta será utilizada por dois anos para mapear a Região Metropolitana de São Paulo.
Os caçadores de vazamentos
O método tradicional para detectar vazamentos de água funciona assim: equipes técnicas especializadas percorrem as ruas com geofones (um equipamento que capta e amplifica as vibrações do solo). Usando fones de ouvido, os profissionais encostam o equipamento no solo para tentar ouvir os ruídos produzidos por vazamentos de água.
Quando encontram um possível ponto de vazamento – o que, diga-se de passagem, é um processo lento e que exige profissionais bem treinados – eles utilizam uma haste de escuta para confirmar a suspeita.
Os técnicos não saem procurando aleatoriamente pela cidade. Eles trabalham em locais onde já existem indícios de vazamentos. Antes, isso era feito por uma equipe de pesquisa, que utilizava uma metodologia específica para identificar os locais.
“O que usávamos para reduzir a área de pesquisa, ou seja, para o geofonista não andar pela cidade inteira, era um diagnóstico para identificar perdas de água”, conta Fábio Passos, gerente de perdas na Sabesp. “Depois que detectamos isso, utilizamos outros mecanismos, como sensores de pressão e de ruído. Quando há uma queda de pressão de água, pode ser porque houve um consumo fora do comum ou porque ocorreu um vazamento. Identificando isso, a equipe ia até o local.”
Esse processo vem sendo otimizado por novas tecnologias, e possibilita indicar aos geofonistas áreas de busca mais precisas. “Nas redes adutoras, por exemplo, também usamos a SmartBall, um dispositivo que é inserido na tubulação e detecta vazamentos”, completa Passos.
E a tecnologia via satélite?
A tecnologia da Asterra entra como uma aliada dos geofones. O satélite escaneia a região contratada em busca de sinais compatíveis com vazamentos e cruza essas informações com os mapas da cidade e com a própria rede da empresa de saneamento. Assim, a companhia consegue identificar pontos de vazamento próximos às tubulações de abastecimento. Com isso, produz um mapa completo com todas as informações.
“A Asterra disponibiliza as imagens cruzadas com as nossas redes de água. No mapa, temos os pontos de possível vazamento, com marcações em vermelho e amarelo, conforme a assertividade. Os vermelhos são os mais assertivos”, diz Fábio.
Esses pontos indicam áreas com 100 metros de raio. A partir daí, equipes de geofonistas (treinadas pela própria Asterra quando a Sabesp contratou o serviço) vão até o local para encontrar o ponto exato do vazamento. Eles utilizam um aplicativo que funciona como um GPS, indicando a área que deve ser percorrida.
Os profissionais identificam um vazamento quando escutam no geofone um chiado característico, que se torna mais intenso à medida que se aproximam da origem do problema. Confira:



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