Kalle Lappinen usava detector de metais portátil para buscar tesouros em floresta quando encontrou milhares de moedas e outros objetos de prata

Um detectorista no sul da Finlândia, em busca de tesouros na floresta de sua cidade natal, descobriu neste mês o que arqueólogos profissionais consideram o maior tesouro de moedas de prata da Era Viking já encontrado no país.

Os Museus de Lahti, responsáveis pela gestão do patrimônio arqueológico em Sysma, onde o tesouro foi encontrado, atribuíram ao detectorista Kalle Lappinen o mérito de ter guiado os arqueólogos até uma coleção de milhares de moedas e outros objetos de prata. Entre eles estão uma pulseira e uma conta de prata, informou o museu em um comunicado na quarta-feira, 9.

O museu inspecionou e recuperou o tesouro depois que Lappinen alertou as autoridades de antiguidades. Agora, planeja limpar, estudar e datar as descobertas com precisão, afirmou.

Segundo uma avaliação inicial, existem cerca de 10 libras de moedas, o dobro do tamanho de uma coleção encontrada em 1895 em Nousiainen, que continha 1.700 moedas.

A nova descoberta é “muito significativa” e lança luz sobre a ligação da Finlândia aos vikings, disse Toni Paukku, arqueólogo dos Museus de Lahti.

A Era Viking, de aproximadamente 750 a 1050, coincide com um período do final da Idade do Ferro finlandesa. Os vikings viviam no que hoje são a Suécia, a Noruega e a Dinamarca. A nova descoberta reforça “a forte ligação da Finlândia com a esfera cultural escandinava, impulsionada pelo comércio dos navegadores escandinavos — alguns dos quais eram de fato vikings — através do Mar Báltico”, afirmou Paukku em um e-mail.

Os tesouros foram encontrados acondicionados nos restos de dois recipientes de casca de bétula, enterrados a cerca de 45 centímetros de profundidade.

“Tesouros intencionalmente escondidos como esses eram relativamente comuns nessa época na Finlândia”, disse Paukku, apontando para a agitação social ligada à instabilidade geral e às ameaças externas. As tradições religiosas predominantes na época também podem ter desempenhado um papel, já que muitos acreditavam que riquezas enterradas poderiam acompanhar a pessoa na vida após a morte, observou ele.

Mas o motivo exato pelo qual esse tesouro em particular foi enterrado permanece incerto, disse Paukku. “Só podemos afirmar que, quem quer que fossem, não voltaram para buscar o tesouro”, disse ele. “Não parece haver nenhum sepultamento associado ao tesouro.”

Lappinen, o detectorista que descobriu o tesouro, disse que já havia procurado na área em outras ocasiões, mas não encontrou nada até retornar no início deste mês. Depois de receber alguns sinais, ele começou a cavar até que seu detector de metais portátil — uma pequena sonda manual — “rugiu”, disse ele em um e-mail.

“Com a fúria de um macaco, cavei através do solo, da morena do fundo e dos seixos”, disse Lappinen. A uma profundidade de cerca de 45 centímetros, ele disse ter encontrado “uma pilha de moedas” e então relatou o fato às autoridades — depois de “se recuperar da adrenalina”.

Então ele percebeu que havia mais para descobrir.

“Começou a estalar”, disse Lappinen sobre seu detector. Quando olhou, encontrou mais moedas em “dois tesouros lado a lado”.

Lappinen, de 40 anos, trabalha como oficial na marinha mercante e tem um negócio paralelo como negociante de fogões antigos de azulejo. Sua mãe, disse ele, é uma aficionada por história — ela ficou encantada com a descoberta — e ele vem rastreando tesouros históricos desde 1998.

Ele já havia descoberto um tesouro menor de prata da Era Viking e uma coleção de moedas de cobre suecas, entre outros tesouros. Mesmo assim, Lappinen inicialmente se mostrou cético ao fazer a última descoberta.

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A descoberta demonstra que “os detectoristas podem produzir uma quantidade considerável de novas informações valiosas sobre o passado, principalmente porque (como neste caso) eles pesquisam em áreas onde os arqueólogos profissionais não vão”, disse Eljas Oksanen, arqueólogo da Universidade de Helsinque, em um e-mail.

Oksanen escreveu sobre os riscos e benefícios de amadores fazerem descobertas de importância histórica.