Análise reúne 74 estudos e acompanha participantes por uma década
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23.ago.2026 às 15h30
Natan Feter Coordenador do Centro de Pesquisas em Atividade Física, Saúde e Tecnologia na UFPel (Universidade Federal de Pelotas)
Há anos os cientistas sabem que a atividade física regular pode ajudar a reduzir o risco de demência. Mas um novo estudo, com pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Finlândia e capitaneado pela USC (University of Southern California), sugere que não é apenas a quantidade, mas também o contexto da atividade — se realizada no trabalho ou no lazer — faz diferença.
Realizamos uma metanálise com mais de 4,2 milhões de pessoas e constatamos que o exercício praticado no tempo livre — atividades como caminhar, pedalar, correr, nadar ou praticar esportes — está associado a um risco substancialmente menor de demência.
Em contraste, a atividade física realizada como parte do trabalho parece estar associada a um risco maior de desenvolver a doença.
As descobertas, publicadas na revista The Lancet Public Health, são as primeiras a examinar sistematicamente se o chamado "paradoxo da atividade física" também se aplica à demência.
Esse paradoxo, bem documentado em pesquisas cardiovasculares, descreve a observação surpreendente de que empregos fisicamente exigentes não oferecem os mesmos benefícios à saúde que o exercício voluntário — podendo até aumentar o risco de doenças.
Os resultados da nossa pesquisa desafiam a ideia amplamente aceita de que ‘todo movimento conta’ para a saúde do cérebro.
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O estudo analisou dados de 74 estudos de coorte e caso-controle envolvendo mais de 4,2 milhões de participantes com idades entre 45 e 93 anos, em 30 países. Os participantes foram acompanhados por uma média de dez anos, período durante o qual os pesquisadores registraram diagnósticos de demência de qualquer causa, doença de Alzheimer e demência vascular.
No geral, as pessoas que praticavam mais atividade física no lazer apresentaram um risco 24% menor de demência em comparação com as menos ativas.
A atividade física doméstica também pareceu benéfica, embora essa evidência venha de um único estudo. Já a ocupacional foi associada a um risco 20% maior de demência, enquanto o deslocamento ativo (a pé ou de bicicleta) mostrou um aumento modesto no risco, ainda que baseado em apenas dois estudos.
O termo "atividade física" costuma reunir, em uma única medida, exercício, trabalho manual, tarefas domésticas e deslocamentos. Mas essas diferentes formas de atividade ocorrem em circunstâncias muito distintas e podem ter efeitos diferentes sobre a saúde a longo prazo.
O exercício no tempo livre costuma ser autodirigido, pode ser realizado em uma intensidade agradável e, frequentemente, vem acompanhado de interação social ou redução do estresse. Já os empregos fisicamente exigentes podem envolver tarefas repetitivas, longos períodos em pé, levantamento de peso, tempo de recuperação limitado e exposição a riscos ocupacionais.




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