Evento acontece em setembro, em São Paulo; entre os destaques estão autores que construíram comunidades de leitores de forma independente

Nos últimos anos, a literatura brasileira contemporânea tem encontrado na internet um espaço cada vez mais amplo para criar história s, formar comunidades e aproximar autores de seus leitores. Antes mesmo de chegarem às prateleiras das grandes livrarias, muitos livros começam em plataformas digitais, conquistam milhares de leitores e dão origem a universos que ultrapassam as páginas.

É nesse cenário que a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reúne, entre os dias 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, autores, editoras, leitores e inúmeros gêneros literários. O evento nasceu com o objetivo de promover o encontro entre o público e os principais nomes do mercado editorial.

Entre as autoras que estarão no evento estão nomes que ganharam espaço inicialmente por meio da publicação independente e das plataformas digitais. Patrícia Criado, Line Cunha, Victória Moon, Ariani Castelo, Helena Lopes e  Ives Ferro chegam à Bienal com trajetórias marcadas por fantasia, romantasia e literatura sáfica. 

Uma delas, inclusive, revelou em primeira mão  ao iG , o título de seu próximo livro.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a história de Patrícia Criado começou de um jeito peculiar para uma autora de fantasia. Formada em Odontologia pela Universidade de Marília (Unimar), ela nasceu em Cáceres, no Mato Grosso, e atualmente mora em São Sebastião, no litoral paulista.

Em 2021, durante a pandemia, Patrícia começou a publicar uma fanfic no Wattpad por puro hobby. Até então, como contou ao iG, sua experiência com textos se resumia basicamente às redações que havia produzido para o Enem, mas isso rapidamente mudou.

A autora conta que percebeu que tinha facilidade para escrever ao mesmo tempo em que descobriu que havia leitores interessados nas histórias que criava. Desde então, a escrita deixou de ser apenas uma atividade paralela e passou a ocupar o centro de sua vida profissional.

Um dos momentos que ajudaram Patrícia a perceber o tamanho que seu trabalho havia alcançado aconteceu justamente em uma Bienal. Ela se aproximou da influenciadora Kabook como fã e, ao se apresentar, descobriu que a criadora de conteúdo já conhecia Interion, obra que foi recomendada por seus próprios leitores.

Como é de se imaginar, a experiência teve um peso simbólico para a autora. Até aquele momento, ela acompanhava o crescimento de seu trabalho principalmente pelos números de leituras e comentários. Encontrar alguém que admirava e descobrir que seu nome já circulava entre leitores fez com que passasse a se reconhecer de outra maneira.

Patrícia é autora de As Crônicas de Júpiter, série que começou com Interion e teve continuidade com Insaad. O terceiro livro da trilogia, Vínturis, está em desenvolvimento.

Sem revelar spoilers, ela contou ao iG que o terceiro volume tem um significado especial justamente por representar a despedida dos personagens que a acompanham há anos. 

“Meu coração aperta ao pensar que essa será a última vez que vou ouvir as vozes dos personagens na minha cabeça e acompanhá-los de pertinho. Sei que parece esquizofrenia, alguma entidade ou qualquer coisa igualmente preocupante, mas eu juro que é só a arte funcionando na sua forma mais crua”, confessa.

Segundo Patrícia, a história retoma elementos plantados desde o primeiro parágrafo de Interion e representa o encerramento da jornada que ela imaginou desde o começo. "Estou amando escrever esse encerramento e acredito que os leitores vão sentir isso em cada capítulo", acrescenta.

A construção desse universo também é um dos grandes desafios de seu processo criativo. Interion ultrapassa mil páginas e reúne um worldbuilding extenso, com diferentes nações, fronteiras, culturas e personagens.

Mais do que criar mundos fantásticos, Patrícia que gosta de explorar a psicologia de seus personagens. “Eu gosto de abrir as feridas dos personagens e mostrar as marcas de como aquele tipo de trauma foi criado, assim como todas as formas como podem ser cicatrizados”, explica.

Entre os temas presentes em suas histórias estão pertencimento, preconceito, poder, família, culpa, luto, vícios e distúrbios psicológicos. Ao comentar sobre as dificuldades do começo da carreira e o que não abriria mão, a escritora destaca sua proximidade com os leitoress e sua criatividade.

“Algo de que eu não abriria mão é da proximidade com os leitores e da liberdade criativa sobre as minhas histórias. Gosto de ouvir teorias, acompanhar as reações e entender o que eles estão sentindo durante a leitura. E, ao mesmo tempo, quero continuar tendo coragem de escrever a história que acredito que precisa ser escrita, mesmo quando ela não segue exatamente o caminho que o leitor espera”, pontua.

Patrícia Criado estará na Bienal nos dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13 de setembro. 

Se a Bienal será um ponto de encontro entre autores e leitores, a participação de Line Cunha também chega acompanhada de uma novidade mais do que especial!

Em entrevista exclusiva ao iG, a autora revelou o título de seu próximo livro: Quase Colisão.