Da Amazônia yanomami às periferias das cidades, obras para crianças cruzam o país com diferentes infâncias

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26.jun.2026 às 23h00

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Com as férias de julho chegando, vai surgir um dilema. Será que o melhor é ficar em casa e não perder nenhum jogo da Copa do Mundo? Ou vale a pena viajar, mesmo correndo o risco de não assistir a algumas partidas, justamente as mais importantes, na reta final do campeonato?

Seja como for, é possível dar um belo passeio pelo Brasil sem sair de casa. Como? Com a ajuda dos livros. Conheça abaixo seis lançamentos de literatura infantojuvenil que levam os leitores para quilombos, comunidades indígenas, periferias, sertões e todo um Brasil que brinca —mas também lê.

Boas leituras e boas viagens.

A Manga da Terra "A terra dá, a terra quer." Quem ensina é Nêgo Bispo, um dos principais pensadores brasileiros, que ganha agora uma publicação para crianças (mas que adultos deveriam ler também). Nela, o líder quilombola fala da nossa relação com a natureza e de como deveríamos parar de apostar no desenvolvimento para prestar atenção em outra palavra: envolvimento.

Autoria: Antônio Bispo dos Santos. Ilustrações: Xiloceasa. Ed. Ubu e Piseagrama. R$ 69,90 (48 págs.)

Davi Sonha e Eu Também Aqui não temos um livro, mas três. Tudo começou quando o artista plástico Luiz Telles leu "A Queda do Céu", de Davi Kopenawa e Bruce Albert —eleita pela Folha como a melhor obra brasileira de não ficção do século 21. O resultado é um ensaio visual dividido em três partes: "Eu", "O Outro" e "Nós", que fazem uma viagem pelo universo do xamã yanomami.

Autoria: Luiz Telles. Ed. Barbatana. R$ 135 (os três livros; 40 págs. cada um)

Quem Quer Brincar de Bola? Um livro geralmente é composto de palavras e imagens. Mas este aqui também é feito de infância, futebol, bicicleta, filtro de barro, pipa no céu, coco na praia, fruta na feira. Ao contar a história de João, que não encontra ninguém para jogar bola com ele, a autora cria um retrato saboroso da meninice que pulsa nas periferias e subúrbios do Brasil.

Autoria: Maria Carolina Marchi. Ed. Pallas. R$ 65 (32 págs.)

Criança que É Criança (no Sertão) Depois de fazer a mesma coisa no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a editora Caixote visitou o Vale do Pajeú (PE) e perguntou para quase cem meninos e meninas: o que é ser criança, afinal? As respostas se tornaram um manifesto ilustrado por diferentes artistas. "Criança que é criança (no sertão) deseja encontrar com o mar", afirma um dos itens.

Autoria: Gabriela Romeu, Isabel Malzoni, Odília Nunes, crianças do Vale do Pajeú e diversos ilustradores. Ed. Caixote. R$ 78 (40 págs.)

Brilho da Noite Participante desde a infância do grupo que organiza o bumba meu boi no Morro do Querosene, em São Paulo, a ilustradora Sofia Fajersztajn transporta essa festa popular para a literatura. Na história deste livro, são João, são Pedro e são Marçal se transformam em garotos que desejam levar o mesmo boi bonito e brilhante para suas festas de aniversário.

Autoria: Sofia Fajersztajn. Ed. Palavras. R$ 78,50 (40 págs.)

Quem Vem Lá? Cascavel, coral-verdadeira, surucucu, jararaca e outras cobras brasileiras se embolam numa espécie de brincadeira. Juntas, elas tentam adivinhar qual bicho está chegando. As ilustrações, feitas com madeiras de diferentes cores, apresentam a nossa fauna ao mesmo tempo em que tocam num problema urgente: a pressão do homem sobre o habitat desses animais.