Os data centers são praticamente nossa conexão com a vida tal como a conhecemos, mas também sugam água, energia e conforto visual

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A corrida pelos data centers, essenciais para a inteligência artificial, cria um dilema nos EUA. Enquanto políticos incentivam a expansão para gerar empregos e impostos, a população local os rejeita devido ao alto consumo de água e energia, além do impacto visual. Uma pesquisa aponta que 63% dos americanos veem esses centros como prejudiciais ao país.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

É tudo tão fácil com um celular na mão e um computador na mesa que esquecemos que o “milagre” da conectividade demanda uma infraestrutura de proporções épicas — e isso só aumenta com a expansão, e a sede de equipamentos, da inteligência artificial. A corrida pelos data centers vai definir quem ganha a hegemonia, Estados Unidos ou China. Mas com uma diferença fundamental: enquanto os chineses aceitam passivamente as decisões de cima, nos Estados Unidos existe uma opinião pública acostumada a se manifestar e a tendência, no momento, é a de rejeitar os gigantescos data centers que movem tudo isso.

Eles são “a galinha dos ovos de ouro” e quem não aceitá-los vai ficar para trás, pobre e atrasado, apelou Donald Trump, um grande incentivador da construção de novos data centers. Políticos dos dois partidos também deram incentivos à corrida, pensando no aumento das ofertas de emprego — e, claro, nos impostos — que os postos avançados da alta tecnologia trazem consigo.

Acontece que muitos moradores de localidades do interior do país, onde existe espaço para a construção dos mastodontes, não gostam do que está acontecendo. Os data centers sugam água e energia para manter seus infindáveis servidores funcionando — e mesmo quando seus proprietários criam matrizes, como pequenas hidrelétricas e até usinas nucleares, as queixas persistem. A desproporção entre as dimensões das pequenas cidades onde antigas áreas rurais viram o centro dos barracões high-tech também causa um alto desconforto, visual, sensorial, ambiental e até emocional.

A revista The Economist registrou a guinada em que o entusiasmo com as oportunidades criadas pelos centros de dados deu lugar à desconfiança e em seguida à rejeição. Uma pesquisa encomendada pela publicação registrou um repúdio quase impensável num país transformado em superpotência pela capacidade de inovar e disseminar as inovações. Nada menos que 63% dos americanos hoje acham que os data centers são prejudiciais para o país.

Em nível local, 71% são contra a construção dos mastodontes em suas comunidades. Um advogado especializado em questões urbanísticas ouvido pela The Economist, Tommy Mann, notou: “O nível de emotividade associado a esses projetos é algo que nunca antes havia encontrado”.

É, claro, um sinal de que, mais do que uma obra incômoda, muitos sentem que seu próprio estilo de vida está ameaçado. Para dar uma ideia da desproporção entre o indivíduo e as construções: a maior obra edificada do mundo, a Terafab, construída por Elon Musk, tem nada menos que 9 milhões de metros quadrados (o Pentágono, que durante muito tempo foi o campeão mundial de tamanho, tem 600 mil metros quadrados). É uma megafábrica de semicondutores no Texas que vai alimentar os múltiplos empreendimentos, terráqueos e espaciais, do homem mais rico do mundo.

Qual a alternativa? Os especialistas são unânimes: perder a corrida para a China. Ou torcer para que, eventualmente, a inteligência humana, com uma tremenda ajuda artificial, encontre soluções menos agressivas.

Por enquanto, tudo do mundo digital, do pagamento com celular aos maiores projetos, depende de um número incessantemente em expansão de centros de dados. Nos Estados Unidos, já são 4,7 mil — e vão continuar aumentando, embora os que deveriam ser os principais beneficiados desconfiem da alta do consumo de água, de energia e do tráfego para justificar o que parece uma espécie de novo ludismo, o medo das mudanças estonteantes trazidas pela inteligência artificial e a desconfiança em relação ao poder quase sem precedentes dos gigantes high-tech.

A solução, obviamente, não é andar para trás, mesmo que andar para frente tenha tantos aspectos inconvenientes.

Se a inteligência artificial nos levar ao salto da energia limpa e inesgotável, a humanidade entrará em outro patamar — e os repudiados centros de dados terão sido o motor da guinada.