Governo diz à PF que suposto ataque hacker usou credencial de dois agentes estaduais do Pará
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21.jun.2026 às 11h52 Atualizado: 21.jun.2026 às 14h41
Mateus Vargas Laura Scofield
Credenciais de acesso de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram usadas no disparo de alertas falsos a milhões de celulares na noite de sexta-feira (19) e na madrugada de sábado (20).
Os alertas de "misantropia" e "ataque alienígena", entre outros textos, chegaram a celulares de seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco), além da população de diversos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Em documentos enviados à Polícia Federal e obtidos pela Folha, o governo federal diz que "agrava a ocorrência" o fato de os alertas terem sido direcionados a diversas regiões com credenciais de agentes estaduais autorizadas a enviar mensagens apenas para o Pará.
A principal suspeita do governo é de que um hacker usou as senhas dos dois agentes do Pará para emitir os alertas.
"Assim, além do possível uso indevido de credenciais, há indício de que o agente conseguiu operar a plataforma sem a devida restrição territorial, emitindo ou tentando emitir alertas para áreas nas quais os usuários não deveriam possuir permissão de envio", afirma documento da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Em entrevista coletiva no sábado, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que "tudo indica" que o incidente não foi causado por "uma pessoa do sistema de proteção e Defesa Civil, cadastrada e com possibilidade de acesso regular". "Tudo leva a crer que foi um ataque hacker, crime cibernético", declarou Wolff.
Na madrugada de sábado, a Defesa Civil Nacional declarou que a plataforma de envio de alertas sofreu uma invasão e foi retirada do ar por volta de 1h30. Também informou que acionou a PF (Polícia Federal) para investigar o caso.
Uma investigação preliminar, que apura informações antes da abertura de um inquérito policial formal, foi aberta no sábado.
Neste domingo (21), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional afirmou, em nota, que "não confirma hipóteses sobre a dinâmica do incidente cibernético e aguarda a conclusão da apuração técnica e policial".
A pasta também disse que o sistema de alertas está operacional, mas possíveis disparos só poderão ser feitos pelo Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), pois o acesso dos estados foi fechado. Caso seja necessário enviar alertas de eventos climáticos extremos enquanto seguem as averiguações, a Defesa Civil de cada estado deverá acionar o Cenad.
O documento enviado à PF mostra que os primeiros dois alertas foram emitidos pela conta do mesmo agente, sendo que o primeiro foi direcionado ao estado do Rio de Janeiro, às 23h41, com a mensagem "misantropo ADRESS RJ burros dms pprt".
Às 23h45, celulares em Curitiba receberam o alerta falso de "misantropia", palavra que denota aversão, desconfiança ou desprezo por pessoas e pela espécie humana.
Os oito alertas seguintes foram feitos entre 1h20 e 1h23, com a conta de um segundo agente estadual do Pará, principalmente com a palavra "misantropi4".
Nove mensagens foram repassadas pelo canal Defesa Civil Alerta, que usa tecnologia cell broadcast e envia mensagens aos aparelhos que estão sob alcance de antenas de telefonia da região em risco.

