Campanha afirma que adotará medidas para reduzir despesas, com fim de privilégios e penduricalhos, e também redução de impostos
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Adriana Fernandes Idiana Tomazelli Luany Galdeano
As contradições entre as declarações e as propostas do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) expõem dúvidas sobre o programa de ajuste fiscal que ele adotará no caso de vitória no segundo turno.
A equipe dele vem prometendo fazer um duro ajuste fiscal, mas as medidas sinalizadas por ele e por sua porta-voz econômica, Daniella Marques, vêm alimentando divergências e disputas nos bastidores da campanha.
O motivo é a velocidade e o tamanho do plano de ajuste fiscal no início de um eventual governo. Ou seja, a dúvida é se Flávio Bolsonaro, caso eleito, usará o capital político para adotar medidas duras, mesmo que tenha que passar por cima de promessas feitas ao eleitor durante a campanha.
A disputa está entre escolher um ajuste gradual e um arrocho inspirado no que foi adotado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, no início do seu governo, aproveitando que o resultado das urnas no primeiro turno garantiu a formação de uma maioria da direita na Câmara e no Senado suficiente para aprovar PECs (Propostas de Emenda à Constituição) a partir de 2027.
Flávio Bolsonaro já disse que não fará ajuste "em cima de aposentados ou da população de baixa renda".
O candidato também sinalizou que vai fazer um "tesouraço" nos impostos, desonerar a folha de pagamentos e interromper a reforma tributária para ajustes de rota —medidas que retiram receita dos cofres do governo.
Flávio Bolsonaro afirmou ainda, em entrevista ao SBT News, que não pretende acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, nem desvincular esses gastos ou o salário mínimo.
Nesta quinta-feira (8), a Folha mostrou que a equipe responsável pelo programa econômico do candidato do PL estuda um pacote de medidas fiscais com foco na contenção das despesas obrigatórias da União para viabilizar um ajuste inicial da ordem de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões.
Após a publicação, o candidato comentou o conteúdo da reportagem e afirmou que, se eleito, manterá o reajuste das aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) acima da inflação.
"Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria", afirmou ele nesta quinta.
Em abril, o jornal já havia informado que as propostas de desvinculação do piso e de fim do ganho real para aposentados estavam sendo ventiladas internamente entre os integrantes que montavam a candidatura do senador à Presidência. Ele veio a público para negar essa pretensão e reiterou seu posicionamento ao longo da campanha.
As sinalizações de preservação de benefícios e despesas contrastam com a promessa de um ajuste fiscal mais forte, equivalente a no mínimo 1,5% do PIB, apresentada a representantes do mercado financeiro e citada por porta-vozes da campanha como um esforço que seria suficiente para levar à redução das taxas de juros.
Um ajuste dessa magnitude, superior a R$ 200 bilhões considerando projeções para o PIB deste ano, exigiria medidas mais duras, como cortes em despesas com benefícios sociais e previdenciários, na contramão das promessas de Flávio.
Até agora, porém, a campanha fala oficialmente em corte de cargos e ministérios, venda de imóveis da União e combate a fraudes em benefícios —medidas que, sozinhas, não são suficientes para colocar de pé um ajuste dessa envergadura. Mesmo o corte dos chamados gastos tributários, medida também citada por representantes da equipe do candidato, teria alcance limitado e enfrentaria resistências políticas.




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