Foto: reprodução UOL Por Thiago Arantes – Colunista do UOL, em Barcelona A bola ainda não rolou para a final da Copa do Mundo, em Nova Jersey, mas já é possível falar sem nenhum receio: a Espanha sai do torneio consagrada como epicentro — teórico e prático — do futebol...
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A bola ainda não rolou para a final da Copa do Mundo, em Nova Jersey, mas já é possível falar sem nenhum receio: a Espanha sai do torneio consagrada como epicentro — teórico e prático — do futebol mundial.
Rodri é um dos líderes do meio de campo da Espanha na Copa Imagem: Getty Images
Seja qual for o resultado entre a seleção de Luis de la Fuente e a Argentina de Lionel Messi, às 16h (horário de Brasília) deste domingo, o país europeu deixará os Estados Unidos com motivos para acreditar que, após mais de uma década, volta a ditar o ritmo de como se joga ao redor do planeta.
O motivo mais evidente é a seleção: o time capitaneado por Rodri chega à decisão como favorito, sobretudo pela consistência defensiva e a capacidade de controlar o jogo. Os espanhóis têm a melhor defesa da competição, com apenas um gol sofrido, e estão entre os líderes de posse de bola (3º lugar, com 63,7%), número de passes (2º) e precisão (1º).
A forma como a Espanha passou pela favorita França nas semifinais enviou uma mensagem ao mundo: o jeito de jogar que se consagrou entre 2008 e 2012 voltou a ser dominante, mas agora com novidades, como os pontas que driblam e laterais mais dinâmicos.
Os vizinhos mais próximos já tinham visto a tendência com o título da Eurocopa de 2024; o Mundial apresentou o modelo renovado para uma audiência global. Tudo isso com uma seleção que tem seu verdadeiro alvo em 2030, quando disputará a Copa em casa — a Espanha é país-sede, ao lado de Portugal e Marrocos.
O êxito da seleção espanhola, que chegou à final colocando seu modelo de jogo na vitrine, é uma parte importante da consagração do país como protagonista. Mas até mesmo a Argentina, outra seleção que luta pelo título, tem elementos que confirmam a excelência do trabalho que se tem feito na terra de Xavi, Iniesta e Sergio Ramos.
Lionel Scaloni, treinador da seleção Albiceleste, formou-se como treinador na Federação Espanhola (RFEF), em uma turma que tinha outros ex-jogadores como Javier Saviola e Fernando Redondo. Um dos professores era Luis de la Fuente.
Entre os jogadores, o exemplo mais óbvio é Messi. O camisa 10 foi para Barcelona no início da adolescência e deu seus primeiros passos no futebol já inserido na metodologia de La Masia, baseada em conceitos de Johan Cruyff. Foi das ideias do holandês — e de seguidores como Joan Vilà e Paco Seirul.lo — que foi desenvolvido o jeito de jogar do clube catalão e da seleção espanhola.
Para além do craque, há ainda dois jogadores formados em categorias de base de clubes espanhóis: Nico Paz, nascido nas Ilhas Canárias e criado na base do Tenerife e do Real Madrid, e Giuliano Simeone, que terminou a formação no Atlético de Madrid, sob olhares de seu pai e treinador do clube, Diego Simeone.
O Atleti é, também, o clube que mais jogadores forneceu à convocação de Scaloni, com cinco: além de Simeone, são atletas colchoneros o goleiro reserva Juan Musso, o lateral Nahuel Molina, e os atacantes Thiago Almada e Julián Álvarez. Giovani Lo Celso, do Real Betis, é o sexto elemento que atua no futebol espanhol. Apenas a Premier League, com outros seis atletas, fornece tantos jogadores à tricampeã do mundo.
Para além de uma questão quase filosófica — o estilo espanhol é mesmo o modelo a ser seguido? —, os números corroboram que a Espanha manda no futebol de seleções nos últimos anos.
Antes de ser finalista da Copa do Mundo, a base desta seleção estava na conquista da Eurocopa em 2024. Entre a glória continental e a decisão de domingo, ainda deu tempo de ser campeã olímpica em 2025. No domingo passado, os espanhóis também levaram o Europeu sub-19.
A fase dourada vai além: a Espanha também é campeã mundial feminina, título conquistado pela primeira vez em 2023. A Eurocopa de 2025 também esteve próxima, mas o time de Aitana Bonmatí e Alexia Putellas perdeu a decisão para a Inglaterra, nos pênaltis.
Nas categorias de base femininas, o domínio já virou dinastia: a Espanha tem oito títulos mundiais sub-20, sendo cinco deles seguidos. No sub-17, foi pelo menos semifinalista em 14 das 17 edições realizadas desde 2008, com cinco títulos.
Jamais na história do futebol de seleções um país conseguiu reunir tantas conquistas importantes em espaço tão curto de tempo. A taça Copa do Mundo seria o momento de coroação suprema para um trabalho que, de forma transversal, já reina em diferentes gêneros e idades.
Mas, independente do resultado em Nova Jersey, a paisagem do futebol mundial não deixa dúvidas: a Espanha é o modelo a ser seguido.




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