A exposição intensa às plataformas de apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026 tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental. Ao longo dos 39 dias de competição, que reúne 48 seleções e mobiliza milhões de torcedores em todo o mundo, o …

O tema ganha relevância diante do alcance do torneio e do interesse do público brasileiro. Um levantamento da Kantar indica que sete em cada dez brasileiros pretendem acompanhar a Copa do Mundo. Além das transmissões das partidas, o público também busca informações sobre o campeonato por meio de notícias, redes sociais, vídeos de melhores momentos, estatísticas e análises esportivas.

A mesma pesquisa mostra que 37% dos brasileiros planejam realizar apostas durante o mundial. As modalidades mais populares incluem previsões sobre resultados das partidas, quantidade de gols, seleção campeã, lances específicos e artilheiros da competição. Segundo especialistas ouvidos pela Deutsche Welle, o aumento da exposição ao tema e o clima de envolvimento coletivo podem estimular comportamentos impulsivos relacionados ao jogo.

O avanço das apostas esportivas ocorre em meio à expansão acelerada do setor no país. Estudo da Tendências Consultoria em parceria com a Peers Consulting+Technology aponta que o mercado movimentou cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta em 2025. Atualmente, as plataformas alcançam mais de 25 milhões de usuários e figuram entre os segmentos de maior crescimento da economia digital brasileira.

Dados do Instituto Locomotiva ajudam a dimensionar o fenômeno. Em 2024, cerca de 52 milhões de brasileiros adultos haviam realizado apostas esportivas. Entre eles, 79% pertenciam às classes C, D e E. O levantamento ainda identificou que 64% dos apostadores utilizavam recursos da principal fonte de renda para financiar as apostas, o que amplia as preocupações sobre impactos financeiros e sociais.

A preocupação também está relacionada à dinâmica das apostas online. Além dos resultados finais, as plataformas permitem apostar em eventos específicos que ocorrem durante as partidas, como gols, escanteios, cartões e desempenho individual de atletas. Esse formato mantém os usuários conectados por períodos prolongados e pode reforçar comportamentos compulsivos, especialmente entre pessoas que já apresentam histórico de dependência.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver problemas relacionados às apostas, especialistas afirmam que jovens adultos, pessoas com transtornos de ansiedade, depressão, TDAH, histórico de impulsividade ou dificuldades financeiras estão entre os grupos mais vulneráveis. Para quem enfrenta esse tipo de problema, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito e o governo federal disponibiliza uma plataforma de autoexclusão que bloqueia o acesso às casas de apostas vinculadas ao CPF do usuário.