Grupo já é acionista de referência da Sabesp e tem experiência em energia e saneamento

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22.jun.2026 às 23h00

Paulo Ricardo Martins

A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) tende a se beneficiar da experiência acumulada pela Equatorial em outras empresas de serviços público de energia e saneamento, disse à Folha Marília Carvalho de Melo, presidente da estatal.

Para ela, a Copasa terá condições de "fazer as entregas necessárias, especialmente a dos investimentos para universalização" dos serviços de água e esgoto do estado.

A Equatorial se tornou investidor de referência da Sabesp com uma fatia de 15% das ações, após a conclusão da privatização da companhia em 2024 pelo estado de São Paulo. Em junho, o grupo se tornou acionista de referência da Copasa, ao fazer uma proposta para comprar 30% da empresa mineira. O grupo foi o único a apresentar proposta ao governo mineiro.

"É um resultado que o governo do estado avalia como muito positivo. O Grupo Equatorial é uma referência no setor de energia, já com diversas concessões em todo o Brasil e com resultados muito efetivos. E também no saneamento. A Sabesp tem incrementado muito essa capacidade de investimento no estado de São Paulo", afirma Melo à reportagem.

A desestatização da Copasa foi concluída na última terça-feira (16), com a liquidação e transferência das ações, em uma cerimônia realizada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Melo afirma que o processo de privatização da Copasa dependerá, agora, da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Segundo a Copasa, a Equatorial poderá assumir sua parte na empresa somente após a aprovação do Cade. Depois disso, poderá haver também novas nomeações para a diretoria da companhia de saneamento.

A Copasa já era uma companhia de capital aberto desde 2003 —três anos depois, a empresa fez seu IPO (oferta pública inicial de ações).

Antes da desestatização, o governo de Minas Gerais possuía uma fatia de 50,3% das ações, que agora foi reduzida a pouco mais de 5%.

O estado terá direito a uma "golden share", ação preferencial que dá poder de veto à administração pública em decisões específicas, como mudança de nome e da sede da companhia.

"Toda a estruturação foi feita na manutenção dos 5% para garantia do acompanhamento do governo do estado nas instâncias de governança interna da companhia, inclusive as cláusulas de 'lock-up' [do inglês 'travar']", diz a executiva.

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Pelo acordo estabelecido na oferta de ações, o sócio estratégico terá de se comprometer com uma trava que proíbe a venda das ações por um período de quatro anos. Depois a Equatorial deverá se manter vinculada à Copasa com ao menos 50% das ações adquiridas até 2033 —ou até o cumprimento das metas de universalização de água e esgoto.

Segundo o Novo Marco do Saneamento, até 2033, até 99% da população deverá ter acesso a água tratada e 90% a esgoto coletado e tratado.