Neymar fez dez gols em Copas e duas assistências. É o equivalente a 37% dos gols do Brasil nas três edições de que participou efetivamente, sem contar os jogos de 2026, porque até agora só disputou 15 minutos mais os acréscimos contra a Escócia. Leia mais (06/28/2026 - 18h46)

Jornalista e autor de "Escola Brasileira de Futebol". Cobre sua oitava Copa e cobriu nove finais de Champions

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28.jun.2026 às 18h46

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Neymar fez dez gols em Copas e deu duas assistências. É o equivalente a 37% dos gols do Brasil nas três edições de que participou efetivamente, sem contar os jogos de 2026, porque até agora só disputou 15 minutos mais os acréscimos contra a Escócia.

Vinicius Junior tem 53% de participação nos 15 gols da seleção nas últimas duas Copas. Nem Vini nem Neymar são centroavantes, mas os dois jogam como os mais livres do sistema tático.

Se Neymar entra, Vinicius tem de voltar mais, participar mais do sistema de marcação, no mínimo dar combate ao volante adversário.

É parte do quebra-cabeças tático que Ancelotti tem de resolver para vencer o Japão nesta segunda (29). Se o jogo estiver solucionado aos 30 do segundo tempo, Neymar entra para ganhar ritmo. Se estiver empatado, perspectiva de prorrogação, duro decidir se Neymar entra para resolver ou se mantém-se a equipe com a estrutura que permite a Vinicius Junior ser o ponto mais forte.

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Só Jairzinho, Ronaldo, Rivaldo e Romário marcaram gols em todos os três jogos da fase de grupos antes de Vinicius Junior. E o melhor do mundo de 2024 já participa mais em gols do Brasil do que Neymar participou nas três Copas anteriores.

"Não quero jogadores que desejem ser eleitos o melhor do mundo. Quero os que queiram ser campeões do mundo", disse Ancelotti antes da Copa.

A lógica é a mesma que beneficiou Kaká no Milan, vencedor da Champions League de 2007. "Fui eleito o melhor do mundo por ser o destaque individual de uma equipe muito organizada." Kaká sempre teve plena consciência disso. Vinicius também tem. Não passou a vida imaginando quando seria eleito pela Fifa. Foi eleito quando ganhou a Champions. Pode levantar o troféu também se o Brasil ganhar a Copa.

Futebol não é tênis. Não é esporte individual.

Houve dois exemplos disso na fase de grupos. Cristiano Ronaldo atua como centroavante e Portugal tenta levar-lhe a bola para que conclua, como aconteceu no passe de João Cancelo para que marcasse o primeiro gol contra o Uzbequistão.