Com 1.450 mortos no país, venezuelanos perdem esperanças de encontrar sobreviventes após as 72 horas críticas para resgate e denunciam o que consideram uma resposta insuficiente das autoridades; governo afirma que está trabalhando "sem descanso"
Mães, pais, filhos, primos, tios, netos, vizinhos.
São eles que aguardam por ajuda nos arredores de edifícios que desabaram nas áreas mais afetadas pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana e que já deixaram 1.700 mortos e 5.000 feridos.
Eles esperam por equipes especializadas de resgate e por maquinário pesado que ajude a remover os perigosos escombros sob os quais esperam encontrar seus entes queridos.
Muitos se arriscam a abrir caminho entre as placas de concreto, sem qualquer equipamento de proteção, e retiram com as próprias mãos os corpos que já começam a entrar em decomposição.
A cena se repete em locais como La Guaira e Caracas, e o apelo parece ser o mesmo: pedem maior presença do Estado.
Após os terremotos fatais na quarta-feira, centenas de edifícios desabaram e milhares de pessoas ficaram presas sob os escombros.
Muitos venezuelanos denunciaram uma resposta insuficiente das autoridades e, entre eles, cresce um sentimento de frustração e indignação, como constataram os enviados especiais da BBC.
"Estamos todos bastante frustrados porque o governo não oferece o que deveria: uma ajuda séria", disse a moradora de Caracas Zaira Castro a Will Grant, correspondente da BBC.
A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que os esforços estão sendo feitos "sem descanso" e assegurou: "O resgate das pessoas que estão vivas é nossa prioridade".
Em La Guaira, o caso de Carlos Eduardo, de 31 anos, retrata o desespero enfrentado por milhares de pessoas. Seus familiares sabem onde ele está e o ouviram sob os escombros, mas não têm como resgatá-lo.
"É isso. Estamos aqui esperando ajuda, esperando para ver se conseguimos tirá-lo com vida", disse seu primo à BBC News Mundo.
Na cidade litorânea de Caraballeda, Mileidy Romero, que participava das operações de resgate, disse à agência de notícias AP: "Há um monte de corpos ali desde ontem à noite. Bebês recém-nascidos."
"Às 20h [de sábado] havia pessoas vivas lá embaixo, e ninguém se preocupou em resgatá-las. Localizamos vários corpos, e também não nos ajudaram a retirá-los. O que estão esperando?", acrescentou.
Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Um bombeiro que atua na região e pediu para não ser identificado disse ao enviado especial da BBC News Mundo a La Guaira, Norberto Paredes: "Há edifícios onde não foi removida sequer uma única pedra".
"Não há mãos suficientes", acrescentou. "E é muito, muito provável que ainda haja pessoas presas."
Muitos venezuelanos manifestaram seu descontentamento vaiando a presidente Rodríguez durante visitas às áreas afetadas.
"Eles estão fazendo campanha em meio a uma tragédia! O governo não faz nada pelas pessoas", gritou uma mulher em Chacao.
Embora a dimensão da tragédia represente um desafio para qualquer país, muitos moradores reclamam do que consideram uma reação hesitante e lenta do governo venezuelano.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário