Os fabricantes de máquinas e equipamentos para mineração que operam no país vêm ampliando investimentos em tecnologias de modernização e automação da extração mineral. No início do ano, a sueca Volvo anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões n…

Os fabricantes de máquinas e equipamentos para mineração que operam no país vêm ampliando investimentos em tecnologias de modernização e automação da extração mineral. No início do ano, a sueca Volvo anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões no Brasil, boa parte destinada ao avanço de pesquisas e desenvolvimento de novos produtos com foco no aumento da produtividade e eficiência operacional, descarbonização e segurança, inclusive no setor mineral.

A mineração é, hoje, um mercado estratégico e muito relevante para unidades de negócios como a Volvo Construction Equipment (Volvo CE), divisão de equipamentos do grupo Volvo, explica Rafael Nieweglowski, diretor comercial da vertical de negócios. “Há, hoje, uma demanda em crescimento por equipamentos pesados com alta tecnologia embarcada e uma tendência à eletrificação ancorada na redução de custo operacional e da pegada ambiental”, ressalta.

Já com larga aplicação na mineração em vários países, um dos mais recentes lançamentos da Volvo no mercado brasileiro é o caminhão articulado A50 (carga útil de 45 toneladas), importado da Suécia. O modelo anterior, A45, já está sendo produzido na fábrica da Volvo em Pederneiras (SP). O veículo foi desenvolvido para garantir maior estabilidade e velocidade de deslocamento. Uma nova função, o Collision Mitigation System, utiliza radares, detecta objetos e gera alertas para o operador, evitando acidentes com outros veículos e a possível colisão com objetos na pista.

A fabricação de máquinas e equipamentos para mineração é uma indústria poderosa em todo o mundo. Segundo projeções de mercado, os negócios globais com equipamentos para mineração atingiram US$ 158,47 bilhões em 2025, devendo crescer para US$ 169,56 bilhões em 2026. Não há estudos específicos sobre o tamanho do mercado brasileiro, mas o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima que os investimentos das mineradoras para exploração mineral no país (incluídas todas as soluções para extração de minério de ferro, metais para a transição energética, como cobre e níquel, por exemplo) devem chegar a US$ 68,4 bilhões no período 2025-2029.

Um dos maiores fabricantes globais de máquinas agrícolas e de construção, a CNH, que tem cinco fábricas no país, observa um cenário positivo para negócios no setor da mineração, conta Rafael Barbosa, gerente de marketing de produto da CNH para a América Latina. “O ciclo de investimentos do setor mineral em novos projetos, na expansão de minas em operação e na demanda contínua por agregados (pedreiras e extração de areia), gera procura direta por escavadeiras de produção e máquinas de apoio que acompanham toda a vida útil da operação”, afirma.

Por meio de suas marcas CASE e New Holland Construction, a CNH produz escavadeiras, tratores de esteiras, pás-carregadeiras, retroescavadeiras e motoniveladoras que atendem a infraestrutura e os serviços das operações minerais. Uma das novidades no país são as escavadeiras de 40 toneladas CX370C e E405C EVO, que permitem carregamento rápido, força de escavação, estrutura reforçada para trabalho severo e eficiência de combustível. Fatores que se convertem diretamente em custo por tonelada produzida, avalia Barbosa. “Com isso, as mineradoras conseguem ter menos parada, mais produção, menor custo operacional por hora e por tonelada e mais segurança”, diz ele.

Na WEG, uma das maiores fabricantes globais de motores elétricos, sediada em Jaraguá do Sul (SC), os investimentos na mineração estão concentrados em tecnologias capazes de gerar ganhos concretos de produtividade, eficiência e sustentabilidade para os clientes, diz Anderson Fernandes, vice-presidente da divisão internacional da empresa. “Estamos ampliando nossa oferta com soluções integradas para mineração, combinando motores, transformadores, automação e monitoramento digital”, diz. Entre os destaques para as minas brasileiras, Fernandes cita os sistemas de acionamento para moagem, que integram motores e inversores de frequência de alto desempenho.

No campo da eficiência energética e sustentabilidade, a WEG desenvolveu a linha de motores W23 Sync+, com o mais elevado nível de rendimento disponível no mercado, segundo Fernandes. “Baseada em tecnologia de ímãs permanentes, esse motor permite reduções expressivas no consumo de energia, especialmente em aplicações com velocidade variável”, conta. Os ganhos, acrescenta, podem atingir até 40% de economia.

Para Rodrigo Franceschini, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração (CSCM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), mesmo que a indústria brasileira esteja preparada pra oferecer novas tecnologias, a velocidade de adoção enfrenta gargalos estruturais. “A atividade ocorre em regiões geográficas isoladas do país, e a falta de infraestrutura limita o potencial pleno de expansão e atualização das minas”, afirma. “Além disso, é urgente contar com linhas de financiamento industrial de longo prazo mais acessíveis focadas em sustentabilidade e transição energética.”

Machinery - SEARCHING FOR EFFICIENCY

Investments in mining modernization and automation technologies are accelerating across Brazil, aimed primarily at supporting the growth and competitiveness of the country’s mining industry. Earlier this year, Swedish company Volvo announced investments totaling R$2.5 billion across its various business areas, with significant allocation into mining machinery and equipment production—a segment regarded as a “strategic market,” according to Rafael Nieweglowski, commercial director at Volvo Construction Equipment (Volvo CE).

Rafael Barbosa, CNH’s marketing and product manager for Latin America, says the company, through its CASE and New Holland Construction brands, is keeping pace with opportunities in Brazil’s mining market. CNH has invested heavily in developing products—such as excavators and crawler dozers—that help boost productivity and efficiency in the sector, he says. Among its latest offerings are the 40-tonne CX370C and E405C EVO excavators, which deliver lower operating costs with greater fuel efficiency.

Investments at WEG, one of the world’s largest electric motor manufacturers, headquartered in Jaraguá do Sul, Santa Catarina state, are focused on solutions involving low- and medium-voltage electric motors, industrial automation, electrification, electrical centers and digital platforms, says Anderson Fernandes, vice president of the company’s international division. “The company’s strategy is based on strengthening solutions capable of increasing mine operational reliability, reducing operating costs and accelerating the decarbonization of mining operations,” Fernandes says.