Falámos de ansiedade desde criança, de crescer depressa demais, de ser tímida numa profissão completamente exposta. De disciplina e do lado sombrio que ela pode ter. Com Beatriz Frazão.

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Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora de costume? As pessoas tratam-te por Bia? Pode ser Bia?

Bia? Boa. Bia, olha, há tanta gente que passa a vida toda à procura de saber aquilo que quer fazer da vida. E tu cresceste a saber exatamente aquilo que tu querias. Como é que isso aconteceu?

Uau, que ótima pergunta para começar. Não sei mesmo, foi uma coisa que aconteceu. Eu lembro-me de ser tão pequenina e ter a certeza absoluta que era isto que eu queria fazer. Não me perguntes por quê, eu simplesmente sabia. E à medida que fui crescendo, fui questionando mais e pensando mais sobre várias coisas e às vezes tenho que me relembrar daquilo que eu queria mesmo quando comecei, que era isto.

Mas tu já duvidaste de: "Será que é isto?"

Não duvido. Eu tenho a certeza absoluta que é isto que eu quero fazer para o resto da minha vida, mas é complicado, não é? Porque há muita competição e isto é uma profissão de muitos altos e baixos e um dia podes estar no topo, no dia a seguir podes estar cá embaixo e é difícil de lidar com essa pressão toda.

Mas já pensaste que tens uma grande vantagem de saberes exatamente aquilo que queres. Tantas amigas minhas que estão frustradas no trabalho e o maior problema é, e eu trago isto para as conversas, mas tipo: "O que tu gostavas de fazer?" O maior problema é: "Eu não sei. Eu não sei o que eu gosto, eu não sei o que eu quero". Portanto, é uma grande vantagem, tu parece que desde sempre tiveste ali aquele caminho, não é? Tens tipo uma luzinha que te vai guiando, tipo, é aquilo. É aquilo que eu quero fazer.

Tu sentes muito isso, que as pessoas não sabem, a maior parte das pessoas não sabe?

Sinto que a nossa geração está muito perdida.

E acho que esse é o maior problema, porque tu ficas perdida quando tu não tens uma linha que te guie, um propósito bem definido, percebes? E crescer com isso ajuda a ter estrutura na vida, que eu acho que falta a muita gente. Percebe?

Se calhar também há tantas possibilidades, não é?

Há tanto por escolher, que uma pessoa fica muito perdida. Eu sinto-me muito perdida muitas vezes, mesmo já tendo um caminho que eu sei que quero seguir, também me sinto assim.

Sim, porque mesmo dentro da tua área também podes fazer várias coisas.

Portanto, tu escolhes um caminho, se calhar estás a deixar outros de lado. E essas escolhas também pesam, não é? Como é que vais lidando com isso ao longo de... Como é que vais tomando essas decisões de agora quero aceitar este projeto e vou deixar outros de lado. Agora quero apostar mais em cinema. Como é que fazes essa gestão?

Pois, isso é uma gestão complicada, que eu tento gerir sempre com a minha agência, para saber onde é que eu quero ir agora, o que eu já fiz, o que é bom para mim. Mas eu tento sempre seguir aquilo que eu quero mesmo fazer, aquilo que o meu coração diz. Mas sim, é difícil, é uma área com muita pressão, muitas pessoas em cima de ti, muitos olhares. Mas a verdade é que também há imensas coisas que podes fazer. Eu também gostava muito de escrever, quero começar a escrever e a fazer as minhas próprias coisas. Não sei, estou a tentar explorar tudo o que posso fazer.

Também. Que idade é que tu tens agora?

Estás tão novinha, meu Deus!

28? A mim não parece.

Mas é muito diferente. E tu começaste, o teu primeiro projeto foi com 10 anos.

Isso é totalmente crescer em público, não? Não sentiste isso?