Leonardo Paranaguá, 50, costuma ir a Ibiúna-MG. Lá, estão 3.000 caixas de arquivos da Cia. City. Escolhe-as de forma aleatória e as abre para descobrir o que está dentro. Há um hiato na história da empresa, fundada em 1911, que ele deseja recuperar. Leia mais (06/27/2026 - 14h00)

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme

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Leonardo Paranaguá, 50, costuma ir a Ibiúna-MG. Lá, estão 3.000 caixas de arquivos da Cia. City. Escolhe-as de forma aleatória e as abre para descobrir o que está dentro. Há um hiato na história da empresa, fundada em 1911, que ele deseja recuperar.

Administrá-la é ter contato com o urbanismo de São Paulo. Foi a companhia que criou o conceito de "cidade-jardim" ao desenvolver bairros e ainda tem direitos em bairros como Pacaembu, Alto da Lapa e Butantã depois de comprar 15 milhões de m² de terras em 1912. Criou regras que ainda fazem parte da legislação da capital. Nas últimas décadas, enfrentou a decadência do seu modelo, disputas jurídicas e a crise causada pela Encol.

O que o atraiu em uma empresa centenária?  A marca tem recall com outras gerações. Houve um momento em que ela ficou pendurada na holding do grupo [colombiano] Santo Domingo e acabou esquecida. Foi quando tive a oportunidade de fazer a aquisição em 2024. Eu já vinha fazendo investimentos em projetos com a cara do que a City fez no passado, de urbanização mais abrangente.

Até que ponto a marca pode ser relevante? É um magneto muito interessante para desenvolver negócios. Em São Paulo, olhamos de novo para bairros que ela fez. Dá para retocar. E se viabilizássemos algum processo que custeasse a melhoria desses bairros?

Qual o sr. deseja que seja o legado da empresa nessa nova fase? Eu tenho cabeça de engenheiro. Quero testar, aprender, corrigir e sempre pequeno, para errar pouco. É fazer retrofit urbano de tudo. De um jeito caprichado, adensando com qualidade onde for necessário. Mas com todos os cuidados de generosidade com o espaço público.

A City detém o poder de revisar o regramento original sobre o uso do solo nas áreas que ela própria loteou. Isso é uma oportunidade de negócios?  Esse poder não é só dela. Quando a City nasceu, tudo o que ela fez se refletiu na legislação imobiliária, na restrição de loteador. Criou algo como se fosse uma constituição de bairro. Temos uma questão histórica, mas também é uma oportunidade de negócios.

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Qual é o plano concreto de receita? Desenvolvimento imobiliário, como sempre foi a história da empresa. É o que fazemos. É uma incorporadora com DNA de loteamento.

Até onde pode ir uma modernização controlada sem descaracterizar o patrimônio urbanístico?  O regramento é engessado. Ninguém consegue nada sozinho. A gente conversa com algumas associações. O desafio é modernizar de forma que se aumente [a população], mas mantenha uma característica do passado.