Com empate nas simulações de segundo turno, candidato do PL aposta no desgaste de Alexandre de Moraes para mobilizar a base bolsonarista no 7 de Setembro — mas enfrenta o desafio de não afastar eleitores moderados.
Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 7 setembro 2026Tempo de leitura: 10 minEm 2021, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) em um carro de som na Avenida Paulista, em São Paulo.
Na ocasião, ele afirmou que não cumpriria mais decisões de Alexandre de Moraes. "Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair", disse o ex-presidente, incitando apoiadores contra a Corte.
Cinco anos depois, o ministro volta à pauta das manifestações da direita. Nas convocações para o ato na Paulista nesta segunda-feira (7/9), o mote é "Fora, Lula. Fora, Moraes".
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e atribuídas a Moraes colocaram o STF em uma crise sem precedentes. Reveladas a menos de uma semana do 7 de Setembro, no dia 1º de setembro, elas também abriram uma oportunidade para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
O candidato do PL e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão praticamente empatados nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno, com o herdeiro de Bolsonaro reconquistando o fôlego nas últimas semanas, mostra o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.
A um mês do primeiro turno da eleição presidencial, ambos os candidatos apareciam empatados nas simulações de segundo turno, com 44% das intenções de voto cada, segundo as pesquisas divulgadas até 3 de setembro.
Assim que as mensagens de Vorcaro vieram à tona, depois que o ministro André Mendonça retirou sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF), Flávio declarou que Moraes não tinha mais "condições de permanecer no cargo".
O senador chamou as revelações de "muito graves" e opinou que o ministro deveria renunciar ao cargo.
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Já a bancada do PL anunciou um novo pedido de impeachment de Moraes no Senado e cobrou investigação do ministro, de Andrei Rodrigues, chefe da PF, e de Paulo Gonet, procurador-geral da República, também implicados no episódio.
Duas horas antes do início da manifestação, no lançamento de seu canal no YouTube com transmissão 24 horas, chamado de TV Celular, Flávio convocou seus eleitores a irem à Paulista dizendo que os atos são a "arrancada para a vitória".
"É um ato simbólico", disse. "Se as pesquisas que sempre erraram contra a gente já estão dando empate, você já sabe que a chance é grande, cada vez maior, de a gente vencer já no primeiro turno."
Na transmissão, o candidato do PL também reforçou o tom de crítica ao STF. "Minha campanha não deixa de ser uma candidatura de protesto contra tudo o que está aí. Estão vendo como a mais alta Corte do país, em especial um ministro do Supremo, toma as suas decisões?"
Nesta segunda, nomes como os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PL-SP) e Michelle Bolsonaro (PL-DF), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que busca reeleição, são esperados no palanque na capital paulista.
O pastor Silas Malafaia, organizador de outros atos bolsonaristas no mesmo local, diz estar otimista. No WhatsApp, ele tem dado munições para sua base quase diariamente, com vídeos argumentando contra o Supremo e Moraes.
À BBC News Brasil, ele afirmou nunca dar uma expectativa de número de uma manifestação, mas acredita que o ato deste 7 de setembro será grande, "dada a revolta do povo com essa questão de Alexandre de Moraes". Ele promete fazer no palanque seu discurso mais duro contra o ministro.
"É um absurdo um cara jogar uma cortina de fumaça em cima do André [Mendonça] pra escapar. Não vai ser brincadeira lá não, vamos botar pra quebrar lá em cima de Alexandre de Moraes e do Gonet."
Mas essa expectativa não é compartilhada pelas cúpulas do Congresso Nacional. Segundo apuração do jornal Valor Econômico, a aposta dos presidentes da Câmara e do Senado é de que o bolsonarismo não será capaz de encher a Avenida Paulista — possivelmente fria e chuvosa, em um feriado prolongado.
Na última quarta-feira (2/9), o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, decidiu enfatizar a amizade de Lula e Moraes, em conversa com jornalistas.



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