Petistas pretendem lembrar indicação de ministro por Temer e trajetória em governos tucanos diante da tentativa da oposição de associá-lo ao presidente The post Crise no STF chega à eleição, e PT tenta descolar Moraes de Lula appeared first on InfoMoney.

Após a indefinição do Supremo Tribunal Federal e o potencial de desgaste provocado pelo caso Banco Master e às tentativas de adversários de levar a crise da Corte para a disputa presidencial, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve explorar à trajetória política e profissional de Alexandre de Moraes para rebater a associação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente.

Aliados querem enfatizar que Moraes chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer (MDB), em 2017, e construiu parte relevante de sua carreira no Executivo em administrações que faziam oposição ao PT. A estratégia de distanciamento ganhou força depois da sessão desta terça-feira (15), quando o STF terminou sem decidir se abrirá uma investigação sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro.

Em um primeiro momento, ainda antes da sessão, a análise de dentro da campanha era quem uma eventual autorização para investigar o ministro poderia retornar a discussão pública para a disputa eleitoral e reforçaria o discurso de que o governo do presidente não pretende abafar nenhuma situação, não importando o personagem.

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Com o adiamento da análise do caso envolvendo Moraes, a avaliação no entorno de Lula mudou. Agora, a percepção é que a crise não oferece um cenário eleitoral favorável ao presidente.

Diante disso, a prioridade passou a ser impedir que o episódio seja interpretado como um problema do governo ou da campanha petista. A defesa pública de uma investigação ampla sobre o Banco Master também integra essa resposta.

A biografia de Moraes fornece os principais argumentos para esse distanciamento. Ele foi indicado por Temer para a vaga aberta com a morte de Teori Zavascki, em fevereiro de 2017, quando ocupava o Ministério da Justiça. Tomou posse no STF no mês seguinte.

Antes de integrar o governo federal, Moraes havia ocupado cargos em São Paulo. Foi secretário de Justiça e Defesa da Cidadania entre 2002 e 2005, durante uma gestão de Geraldo Alckmin, e secretário estadual de Segurança Pública entre 2015 e 2016, também sob o então governador tucano. Moraes era filiado ao PSDB quando foi escolhido por Temer para o Supremo.

A aproximação de sua imagem com a esquerda ocorreu posteriormente, sobretudo em razão da atuação de Moraes nos inquéritos sobre ataques às instituições, milícias digitais e nos processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Essa atuação transformou o ministro em alvo frequente de Jair Bolsonaro e de seus aliados.

A campanha de Lula pretende explorar essa cronologia para contestar a caracterização de Moraes como um ministro ligado ao petista. Aliados também discutem uma postura mais explícita do presidente diante da crise, inclusive com cobranças individualizadas aos integrantes da Corte.

A estratégia já foi colocada em prática. O próprio Lula elevou o tom na noite de terça-feira. Em entrevista à Record, afirmou que as suspeitas relacionadas ao Master devem ser esclarecidas independentemente de quem esteja envolvido.

“Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção”, afirmou o presidente. Lula disse ainda que Fachin tem condições de esclarecer as relações de integrantes da Corte com o escândalo depois da abertura de informações que estavam sob sigilo.

O presidente também criticou a forma como André Mendonça administrou informações do caso e cobrou do Judiciário uma resposta capaz de recuperar a confiança da sociedade. A manifestação reforçou a linha adotada pelo Planalto de defender a investigação das suspeitas sem assumir a defesa de Moraes.

Na campanha, outra frente será a cronologia do Banco Master. O objetivo é afastar a crise da administração federal e disputar a narrativa eleitoral sobre quem está politicamente exposto pelas revelações envolvendo Vorcaro.

Parlamentares da esquerda já começaram a direcionar a discussão para Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na eleição presidencial. A estratégia ganhou espaço enquanto o STF discutia o caso Moraes nesta terça.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) cobrou a divulgação, antes do primeiro turno, de informações das investigações relacionadas ao candidato do PL.

“O único candidato a presidente metido até o último fio de cabelo no escândalo do Banco Master é Flávio Bolsonaro. Este precisa ter o sigilo quebrado e os dados divulgados antes do dia 4 de outubro”, escreveu a parlamentar no X.

Jandira também atribuiu dimensão eleitoral à divulgação de informações do caso Master e às disputas internas do Supremo. O ex-deputado Ivan Valente (PSOL-SP) seguiu linha semelhante e afirmou que o foco sobre Moraes estaria sendo usado para reduzir a atenção sobre as suspeitas envolvendo Flávio.

A reação mostra como a crise do STF entrou na campanha a menos de três semanas do primeiro turno. Para o entorno de Lula, o desafio imediato é reduzir a identificação política entre o presidente e Moraes, enquanto seus aliados procuram deslocar o debate sobre o Banco Master para as conexões do caso com o candidato do PL.