Estudo identifica as principais mudanças no mercado de energia e os gargalos que podem limitar a expansão da oferta

Priorizar nos meus resultados Google Os choques provocados pela instabilidade geopolítica nos mercados de petróleo, gás e outros insumos energéticos reforçaram a pressão pela transição para fontes de menor emissão.

É o que aponta a 10ª edição do Sustainability Trends Report, da gestora de investimentos Generation Investment Management.

O estudo aponta avanços em energia solar, veículos elétricos e armazenamento, mas identifica a infraestrutura das redes elétricas como um dos principais obstáculos para a expansão do novo sistema energético.

O relatório, publicado nesta quinta-feira (17), reúne dados sobre energia, transporte, indústria, alimentos e financiamento da transição.

A análise sustenta que a dependência de combustíveis fósseis deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a envolver também segurança energética, inflação, segurança alimentar e vulnerabilidade das cadeias de abastecimento.

Em 2025, as fontes de eletricidade de baixa emissão cresceram o suficiente para atender todo o aumento da demanda mundial por energia e ainda produzir geração adicional, segundo o levantamento.

A geração solar avançou 30% no período, enquanto a capacidade global de armazenamento em baterias cresceu pelo menos 40%.

O avanço, porém, ocorre em um sistema elétrico que precisa se adaptar rapidamente.

Para a Generation, redes de transmissão e distribuição estão se tornando um dos principais gargalos da transição, já que novas usinas renováveis, veículos elétricos, baterias, bombas de calor e centros de processamento de dados aumentam a necessidade de conexão e flexibilidade do sistema.

O problema é especialmente relevante porque a eletrificação transfere parte crescente do consumo de combustíveis diretamente para a rede.

Quanto maior a participação de eletricidade em transportes, aquecimento e processos industriais, maior a necessidade de ampliar a capacidade de geração, transmissão, distribuição e armazenamento.

O setor de transportes também aparece entre os segmentos em transformação.

Um em cada quatro carros novos vendidos no mundo em 2025 tinha algum tipo de conexão elétrica, segundo o relatório. Já as vendas de veículos exclusivamente a gasolina atingiram seu pico em 2017.

Na Europa, as vendas de carros elétricos cresceram 30% em 2025. O relatório também cita a expansão de outras tecnologias de eletrificação.

As vendas de bombas de calor em 11 países europeus aumentaram cerca de 17%, enquanto as vendas de fogões de indução na Índia ficaram dez vezes maiores.

A mudança é relevante porque transportes e aquecimento estão entre os setores nos quais a substituição direta de combustíveis fósseis por eletricidade pode reduzir emissões, desde que a eletricidade adicional seja produzida com fontes de menor emissão.

A China ocupa uma posição particular nessa transformação.

O país continua sendo o maior consumidor mundial de combustíveis fósseis e o maior emissor de gases de efeito estufa, mas também lidera a produção de equipamentos utilizados na transição energética.

O país é um dos principais fabricantes de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. O relatório atribui parte importante da queda dos custos da energia solar nas últimas duas décadas à expansão da produção chinesa.

Essa concentração, porém, cria outro desafio para os países que estão eletrificando suas economias: a dependência de fornecedores externos para equipamentos estratégicos.