Segundo mangá da autora Tomato Soup fala sobre período histórico misturando traços fofos e uma pitada de mistério.

Toda obra tem a capacidade de apresentar uma determinada cultura para quem a consome. No caso de animês e mangás, o foco costuma ser nos costumes e tradições do Japão, demonstradas em tela com entidades que fazem parte do folclore do país, modos de falar e vestir, entre outras coisas. Porém, de vez em quando, obras produzidas por lá mostram a cultura de outro local, e este é o caso de Uma Bruxa na Mongólia, mangá que chegou recentemente ao Brasil pela editora Panini.

Escrita e ilustrada pela artista Tomato Soup, a publicação é situada na região do Oriente Médio e Ásia Oriental, no período de expansão do império de Gengis Khan. Neste contexto, a obra explora figuras históricas reais, em uma trama dramática e altamente instigante de acompanhar.

Desde a primeira página do mangá, a autora usa um traço que mistura fofura e mistério para apresentar Sitara, a protagonista da história. Ainda garotinha, ela é mostrada como uma escrava que é negociada para viver em uma casa. Não sabemos exatamente sua origem, nem quem são seus pais. Porém, a forma do desenho reflete uma característica importante da personagem: ela é, sim, uma menina buscando seu lugar no mundo, mas nem por isso é totalmente inofensiva.

Em algumas páginas, Sitara passa a ficar com uma determinada família, e é a partir deste momento que a apresentação de uma nova cultura brilha na narrativa de Tomato Soup. Desde roupas, até alimentos, preces e costumes, tudo é recriado de uma forma que se aproxime ao máximo do mesmo período no mundo real. A autora, inclusive, inclui notas de rodapé sobre escolhas de traduções, mostrando que houve uma pesquisa real e respeito pela cultura explorada na história.

As notas de rodapé detalham escolhas de tradução, termos utilizados e mais. | Foto: Cakes Sousa/JBox

Outro ponto interessante tratado por Uma Bruxa na Mongólia é como a busca pelo conhecimento é valorizada, e também permeia a jornada de Sitara. Ao ser negociada como escrava, ela termina indo para uma casa de uma família com linhagem acadêmica, que não separa o estudo da religião. Ao contrário, eles acreditam que a busca pelo conhecimento é algo estimulado pelas entidades em que acreditam, e por isso também desejam que Sitara estude.

Essa forma de pensar expande o campo narrativo da história, e começa a gerar também os famosos questionamentos sobre o que está previamente estabelecido, especialmente na figura do jovem Muhammad, filho da mulher que acolhe Sitara. Ainda que sua passagem pelo primeiro volume do mangá seja breve, poucos diálogos deixam claro que muito do que ele pensa será explorado com o desenvolver da história.

O jovem Muhammad aparece somente nos primeiros capítulos, mas fala muito sobre conhecimento. | Foto: Cakes Sousa/JBox

Quando Sitara entende porque ter conhecimento é importante, a história de Uma Bruxa na Mongólia apresenta uma série de acontecimentos que mudam o seu rumo. Até este momento, quem lê acredita que vai acompanhar o crescimento de uma jovem escrava até conquistar um espaço importante onde vive. Parte disso é verdade, mas Tomato Soup sai do caminho óbvio e, ao mesmo tempo em que insere Sitara em situações desafiadoras, instiga o leitor a continuar a jornada para saber o que vai acontecer.

Por ser situada durante o período de Gengis Khan, a obra também não se abstém de mostrar a realidade da guerra e daqueles que são afetados por ela. Para além das mortes em si, muitas pessoas são feitas de refém e, para sobreviver, precisam trabalhar para aqueles que destruíram a realidade que elas conheciam. É um sentimento agridoce, que Sitara experimenta e passa a ter que lidar rapidamente.

Todo esse caminho mostra, ainda no primeiro volume, outros traços de personalidade da protagonista. Diante de situações extremas, ela usa o sorriso fofo e o fato de ser subestimada na maior parte do tempo para observar e, novamente, aprender. Como leitores, acompanhamos junto com ela essa descoberta sobre si mesma, e fica a dúvida de até onde ela conseguirá ir agindo dessa forma.

Unindo todas essas características em sete capítulos iniciais, o primeiro volume de Uma Bruxa na Mongólia pode ser considerado um dos lançamentos de mangás mais interessantes do ano, acompanhando também a primeira temporada do animê, em transmissão no Brasil pela Crunchyroll.

Página dupla foca na destruição causada pela guerra | Cakes Sousa/Panini/Reprodução

Ainda que a história de Sitara seja conhecida no mundo real, e seja possível traçar uma linha que a narrativa vai seguir, a criação de Tomato Soup é tão carismática e misteriosa quanto sua protagonista, sempre deixando um gostinho de “quero mais” ao final de cada quadro.

O mangá Uma Bruxa na Mongólia começou a ser seriado em setembro de 2021, e segue em publicação, com 6 volumes publicados até o momento.

Confira no álbum abaixo alguns registros da edição nacional do 1º volume de Uma Bruxa na Mongólia pela Editora Panini:

Se interessou? Compre pelos nossos links*:

Siga e acompanhe as notícias do JBox também pelo Google News e em nosso grupo no Telegram.

Essa resenha foi feita com base em uma edição adquirida de forma independente pela crítica, sem envolvimento da editora Panini.

O texto presente é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.