Em meio às críticas de Donald Trump, governo brasileiro afirma que dois planos de combate ao crime organizado seguem emperrados nos EUA

A administração de Donald Trump declarou que o Brasil falhou em combater o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e precisa adotar medidas mais duras contra as facções. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro afirma que Washington ainda não respondeu a duas propostas de cooperação contra o crime organizado apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente Donald Trump em maio.

A cobrança dos EUA consta de uma determinação presidencial assinada por Trump e divulgada nessa quarta-feira (16/9). Embora o Brasil tenha ficado fora da lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, o documento afirma que PCC e CV transformaram o país em um “centro de distribuição global de cocaína”.

A Casa Branca também diz que o governo brasileiro precisa “urgentemente tomar medidas enérgicas” contra as organizações.

No entanto, o Metrópoles apurou que Lula apresentou as duas propostas durante o encontro com o republicano em maio. As iniciativas buscavam ampliar a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional. Desde então, Brasília afirma aguardar uma resposta oficial de Washington.

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3 imagensFechar modal.1 de 3Lula e Trump em encontro na Casa Branca

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Durante a reunião de maio, que durou cerca de três horas, o combate ao crime organizado esteve entre os principais assuntos discutidos por Lula e Trump, ao lado de questões comerciais e minerais críticos.

Na ocasião, o brasileiro convidou os Estados Unidos a participar de iniciativas nacionais voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas e do narcotráfico transnacional.

Entre as propostas apresentadas estava o fortalecimento de mecanismos de cooperação policial na Amazônia, com compartilhamento de informações entre países da região. Lula citou a estrutura criada em Manaus para reunir representantes de países amazônicos e facilitar a troca de dados no combate a crimes transnacionais.

O governo brasileiro também buscava ampliar a cooperação regional por meio do chamado Consenso de Brasília e de outras iniciativas voltadas à segurança e ao combate ao crime organizado.

Segundo a apuração, as duas propostas seguem sem uma resposta oficial de Washington.

Na última conversa telefônica entre os líderes, o brasileiro defendeu a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado e afirmou que o Brasil possui instrumentos próprios para enfrentar as facções, sem precisar de classificações internacionais.

O presidente também citou medidas do governo, como o combate ao financiamento das organizações, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, além da transformação de 138 presídios em unidades de segurança máxima, da Lei Antifacção e de uma PEC para ampliar a atuação federal na segurança pública.