A atual crise do Supremo Tribunal Federal (STF) foi um dos principais temas do debate realizado pelo g1 com os candidatos do Rio de Janeiro ao Senado Carlos Jordy (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD), na manhã desta…
A atual crise do Supremo Tribunal Federal (STF) foi um dos principais temas dos debates realizado pelo g1 com os candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro. Em comum, os postulantes afirmaram que ministros suspeitos devem ser investigados e a maioria defendeu a abertura de processos de impeachment contra membros da Corte.
Os debates foram realizados em dois blocos. Um com Carlos Jordy (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD); e outro com Benedita da Silva (PT), Carlos Portinho (PL), Mônica Benício (Psol) e Waguinho (Republicanos).
No primeiro bloco, Jordy atacou o ministro Alexandre de Moraes e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de atuar para blindar o STF. A análise dos procedimentos envolvendo magistrados cabe ao plenário do STF. Lula vem defendendo publicamente a investigação de todos envolvidos no caso Master.
O candidato do PL afirmou que o Supremo vem extrapolando suas funções e defendeu que o Senado atue para conter esses excessos. "O STF se tornou um grande balcão de negócios. Alexandre de Moraes apodreceu a Suprema Corte. Temos que avançar com impeachment para dar uma resposta para a sociedade", disse Jordy.
Cabe ao Senado abrir processo de impeachment de ministros do Supremo. O tema voltou ao debate em razão da revelação de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído a Moraes.
Pedro Paulo também se manifestou a favor do Senado julgar ministros que estejam envolvidos em suspeitas de irregularidades. Ele defendeu a criação de mandatos fixos para reduzir o tempo dos magistrados na Corte, além da redução de decisões monocráticas. "Não coaduno com desvios de conduta de ninguém. Mas precisamos fazer esse debate sem lacração na rede social", defendeu.
Crivella também falou sobre a necessidade de reformas no funcionamento do Supremo. Ele lembrou de um projeto que apresentou em 2005, para que membros da corte fossem submetidos a sabatinas periódicas.
Ainda segundo o candidato do Republicanos, é preciso que o novo Congresso eleito neste pleito tenha coragem para votar mudanças no judiciário. "Não temos equilíbrio entre os poderes. Deputados e senadores ficam respondendo processos no Supremo e ficam com medo de aprovar algo que restrinja o poder absoluto desssa Corte", afirmou.
Já Marcos Dias criticou indicações políticas para a Corte e afirmou que isso é produto da polarização que o Brasil vive. O candidato do Podemos enfatizou que é preciso valorizar e escolher juizes de carreira para os cargos da Suprema Corte. "Sou pelo mandato de 8 anos e nada mais do que isso", resumiu.
No outro bloco do debate, Carlos Portinho afirmou que o impeachment deve ser tratado de forma prioritária por conta das suspeitas de corrupção. Ele defendeu ainda a anistia aos presos pelos ataques golpistas do 8 de janeiro como caminho para pacificar o país.
Portinho voltou a defender a PEC 45, apresentada por ele, que propõe mudanças no STF como acabar com a vitaliciedade dos cargos e determinar que as vagas sejam destinadas unicamente a magistrados de carreira. "Transformaram o STF numa banca de negócios", criticou o candidato do PL.
Em tom mais cauteloso, Benedita da Silva afirmou que todos suspeitos devem ser investigados. Ela defendeu que deve prevalecer a harmonia entre os poderes, mas argumentou que se o STF não der uma resposta para a sociedade, o Senado deve sim atuar de forma mais incisiva.
"Eu não tenho ministro de estimação. A lei é para todos. Nesse sentido, queremos que eles se resolvam. Mas se não conseguirem, quero estar no Senado para resolver essa situação", disse a petista, defendendo ainda o limite de doze anos para mandatos de ministros da Corte.
Já o candidato do Republicanos, Waguinho, defendeu um limite de tempo no cargo ainda menor para magistrados: de oito anos. Ele defendeu que sejam feitas reformas no Judiciário, e disse enxergar um comportamento "elitista" nesse poder que atuaria para se blindar.
"O impeachment tem que valer para todos. Seja ministro do Supremo, do STJ, governador, presidente", disse o ex-prefeito de Belford Roxo. Ele também se posicionou a favor de restringir nomeações ao STF a juízes de carreira.
Mônica Benício foi a mais cautelosa entre os candidatos sobre a pauta dos pedidos de impeachment. Apesar de defender que ninguém está acima da constituição e que ministros que tenham cometido crimes respondam por isso, ela apontou enxergar um uso eleitoreiro da atual crise por parte dos candidatos.
"O Senado foi escolhido pela extrema direita como espaço para fazer chantagem com o Supremo. Não podemos passar pano pra ninguém. Mas impeachment deve ser usado em último caso", disse a candidata do Psol.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário