“O povo é a cidade” SHAKESPEARE, William. Coriolano, ato III, cena I Quando aparecer ainda importava O tempo talvez seja o senhor de todas as coisas. Por um lado, imortaliza ideias e pessoas. Por outro, devora tantas outras, condenando-as ao limbo da mais abs…
“O povo é a cidade” SHAKESPEARE, William. Coriolano, ato III, cena I
O tempo talvez seja o senhor de todas as coisas. Por um lado, imortaliza ideias e pessoas. Por outro, devora tantas outras, condenando-as ao limbo da mais absoluta irrelevância. Como veremos, o conceito de “candidato” parece habitar algum lugar entre esses extremos. Em Roma, candidatus era aquele que se apresentava ao foro envolto na toga candida — branca, alvejada com giz e, bem por isso, muitíssimo visível.
Naquele tempo, a toga candida não era ornamento nem vaidade. Antes, era um método e servia para que todo candidato fosse visto de longe. Em suma, a palavra que hoje nomeia quem disputa uma eleição significava aquele que se deixa ver. Não obstante, nenhuma lei obrigava o candidato a vestir a toga, pois quem o fazia, fazia por costume. E é precisamente aí que a coisa se torna interessante. Em especial, porque Roma descobriria mais tarde — e a duras penas — que boa parte daquilo que sustentava a República não estava escrito em lugar algum. A esse conjunto de costumes herdados que disciplinava o poder e exigia dos governantes alguma autocontenção mesmo quando a lei não lhes impunha um limite expresso, os romanos chamavam de mos maiorum.




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