Empresa reduz número de temporários e desacelera linhas após recuo no segmento de pesados
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31.ago.2026 às 23h00
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Há 70 anos, a Cummins iniciou a produção de eixos para veículos pesados no Brasil. A conta inclui os anos de operação da Meritor, que o gigante dos EUA comprou em 2022 por US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões na cotação atual).
A celebração ocorre em meio à concorrência crescente dos modelos nacionais com os caminhões e ônibus produzidos na China, fator que tem modificado o mercado nacional. Mas o alerta acionado pelas montadoras ainda não reverberou na cadeia de suprimentos.
"O veículo chinês é uma realidade em mercados na América Latina, mas ainda há muito espaço para o caminhão brasileiro porque existe um tempo longo de transição que vai favorecer a nossa indústria", disse Kleber Assanti, diretor-geral da divisão de eixos da Cummins no Brasil. "De qualquer forma, todos os fornecedores têm oferta diversificada para também atender as demandas da eletrificação."
Dados da empresa mostram que a demanda ainda sustenta a rentabilidade dos negócios. A fabricante de componentes é uma das principais fornecedoras da VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus), montadora que tem uma estratégia comercial historicamente ligada às exportações.
Apesar da tranquilidade acerca do panorama, a Cummins teve de adaptar sua estrutura produtiva nos últimos anos devido à queda abrupta das vendas de pesados no mercado, sobretudo no segmento de caminhões.
Assanti explicou que a companhia reduziu o quadro de funcionários em algumas de suas fábricas, além de desacelerar o ritmo da produção. "Não renovamos os contratos de trabalhadores temporários, por exemplo."
A reformulação aconteceu no ano passado, quando a empresa já vinha vislumbrando tempos difíceis devido à queda nas vendas de caminhões. Naquele momento, a Cummins vendeu 103 mil eixos de tração, e o panorama para 2026 é de que as vendas cheguem a 104 mil unidades. É um crescimento tímido de 1%, mas ainda assim uma boa notícia diante da realidade do mercado.
Houve queda de 7% nas vendas de caminhões no acumulado do ano até julho ante o resultado obtido em igual período no ano passado. No segmento de exportações, os embarques caíram 16,5% na mesma base de comparação.
Em relação ao setor de ônibus, para o qual a Cummins também fornece eixos, as quedas são ainda maiores: 10,7% e 30,6%, respectivamente. Os dados são do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores).
Apesar dos resultados negativos, a Cummins vê o cenário por um viés positivo. "Nós podemos registrar crescimento no mercado de peças originais para as montadoras mesmo com o mercado em queda, e isso pode ocorrer, por exemplo, com o lançamento de versões de veículos que podem contar com um maior número de eixos trativos", disse Assanti.
Há ainda a possibilidade de a empresa passar a ser fornecedora das marcas chinesas que pretendem produzir seus caminhões no Brasil, embora ainda não haja a confirmação de negociações.
A empresa trabalha no desenvolvimento de soluções eletrificadas. Os primeiros passos foram dados ainda pela Meritor pouco antes de ser adquirida pela Cummins.
A operação brasileira da divisão de eixos está distribuída por quatro unidades, sendo que duas estão na Grande São Paulo. Em Osasco, onde fica a principal fábrica, há cerca de 1.200 colaboradores. Em Barueri, a Cummins mantém a estrutura voltada para o mercado de pós-venda, com mais de 50 funcionários em uma área de aproximadamente 5.000 metros quadrados.
Em Caxias do Sul (RS), a operação de freios funciona por meio de parceria com o grupo Randon. Há 1.347 trabalhadores que atuam em uma área de 27 mil metros quadrados.




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