Candidato do Avante também defendeu aumento de impostos sobre bets, criação de escolas de empreendedorismo e estratégias para combater o feminicídio

O  candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) apresentou, em entrevista à Globo, uma série de propostas para áreas como economia, saúde, educação e segurança pública. Entre as principais ideias estão a redução de oito a dez ministérios, o aumento da tributação sobre empresas de apostas e a ampliação do uso da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS).

Cury também falou sobre Previdência, salário mínimo, Bolsa Família, reforma tributária e combate ao feminicídio. Em alguns temas, porém, afirmou que ainda pretende estudar ou detalhar as medidas.

Uma das propostas apresentadas pelo candidato é reduzir o número de ministérios do governo. Cury afirmou que pretende extinguir entre oito e dez pastas como forma de diminuir despesas.

Questionado sobre quais ministérios seriam eliminados, no entanto, ele não apresentou uma lista. Segundo o candidato, será necessária uma análise criteriosa antes de definir os cortes.

Ao mesmo tempo em que defende a redução de estruturas, Cury propõe a criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma secretaria executiva voltada à Inteligência Artificial e à Robótica.

Na área econômica, Cury defendeu aumentar a tributação das empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets. A ideia, segundo ele, seria utilizar parte da arrecadação para ajudar a reduzir a dívida pública.

O candidato afirmou que a tributação poderia chegar a pelo menos 50%. Ele também citou outras medidas, como uma auditoria na administração pública, revisão de cargos comissionados e análise de contratos do governo.

Outra proposta é financiar 10 milhões de microempresas para ampliar o número de negócios e, consequentemente, a arrecadação de impostos.

Na saúde, uma das principais propostas de Cury é ampliar o atendimento por telemedicina. Ele defendeu que 80% das consultas básicas do SUS sejam feitas por teleatendimento.

A proposta, porém, enfrenta regras atuais do Conselho Federal de Medicina (CFM), que não permitem simplesmente substituir consultas presenciais por atendimento remoto nessa proporção.

Cury argumentou que a tecnologia poderia facilitar o acesso à saúde, principalmente em situações de menor complexidade. Ele citou, por exemplo, a possibilidade de uma criança receber orientação médica durante a madrugada sem que a família precise sair de casa.

O candidato também foi questionado sobre sua ligação anterior com uma empresa de telemedicina. Cury foi sócio da companhia até 2023 e atualmente é embaixador da empresa. Ele negou conflito de interesses e afirmou que não possui mais relação societária com o negócio.

Para o salário mínimo, Cury defendeu a reposição da inflação acompanhada de um ganho real de 1% ao ano.

Segundo ele, a intenção seria fazer com que o piso tivesse um aumento acumulado entre 50% e 60% ao final de quatro anos de governo.

O candidato relacionou a proposta ao controle das contas públicas e ao aumento da eficiência da máquina pública. Para ele, uma renda maior também ajudaria a fortalecer o consumo e a classe média.

Cury afirmou que não pretende fazer uma nova reforma da Previdência caso seja eleito.

Para enfrentar o déficit do sistema, ele defendeu o aumento da produtividade das empresas, com uso de inteligência artificial, robótica e tecnologias de automação.

Outra aposta seria estimular o empreendedorismo. O candidato disse que o país deveria chegar a pelo menos 10 milhões de microempresas e propôs dividir o BNDES em duas frentes, uma destinada a grandes empresas e outra voltada para pequenos negócios.

Na educação, Cury propôs criar mais de 10 mil escolas de empreendedorismo. A ideia, segundo ele, não seria construir novas unidades, mas utilizar as estruturas das escolas públicas que já existem.

O candidato também afirmou que seu método de ensino, já utilizado na iniciativa privada, seria cedido gratuitamente à rede pública.