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A gestora Apex Partners — envolvida em um escândalo que vem sendo chamado de Master Capixaba — firmou em abril um acordo de acionistas com o fundo GJP, veículo de investimentos do fundador da CVC Corp, Guilherme Paulus. Juntos, eles detêm 35,3% do capital da empresa.

Paulus havia se afastado da companhia com a venda para a Carlyle e chegou a fazer delação premiada na Lava Jato para se livrar de condenação por pagamento de propina. Ele retornou ao negócio em 2023 e vinha aos poucos ampliando sua participação — mas estava limitado a menos de 25% por conta de uma cláusula do estatuto da companhia que estabelece a obrigação de realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de Ações) quando esse teto for atingido. Desde janeiro, o fundo GJP detém 20,3% da companhia.

O acordo de acionistas foi celebrado no dia 2 de abril, mas só entrou em vigor depois que a assembleia de acionistas aprovou uma alteração no estatuto para dispensar os signatários do acordo da obrigatoriedade de realização de OPA, um mecanismo de governança que protege minoritários de movimentações societárias que podem afetar a liquidez dos papéis, garantindo que eles vendam suas ações com um prêmio.

A alteração do estatuto foi aprovada por 23% do capital votante da companhia, com 8,8% de votos contrários e 67,7% de abstenções. A CVC é considerada uma corporation, com capital pulverizado e alta participação do pequeno investidor pessoa física, que tradicionalmente não vota em assembleias.

Entre dezembro de 2025 e abril deste ano, a BRM Carbyne, gestora de recursos do grupo Apex, adquiriu 15% das ações da CVC por meio de seis fundos e mais o empresário Fernando Cinelli, fundador da Apex. Os fundos de investimentos do grupo Apex que integram o acordo de acionistas são fechados e não se sabe exatamente quem são os cotistas.

"Essas cláusulas de obrigação de realização de oferta pública por atingimento de capital social são cláusulas que, na prática, não funcionam. Tem sempre uma forma de ludibriar, seja escondendo participação em fundos ou outros mecanismos. E quando se recorre à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mesmo com área técnica indicando a necessidade, o colegiado diz não e fica tudo por isso mesmo. Os pequenos investidores ficam sempre desprotegidos na correlação de forças", diz Renato Chaves, especialista em governança corporativa.

A mesma assembleia que aprovou a mudança de estatuto aprovou o nome de Cinelli para uma vaga no conselho da empresa. Ele renunciou ao posto na semana passada, quando a Apex entrou com um pedido de proteção judicial com dívidas de quase R$ 1 bilhão.

A CVC é, desde 2016, uma das raras "corporations" da bolsa brasileira, formato em que o capital é pulverizado, sem um controlador definido. Para configurar controle, um único acionista precisa ter 50% + 1% das ações. Mas um acionista ou bloco de acionistas também podem ser considerados controladores de fato com uma participação menor, como no caso de Apex com GJP, com 35,3%.

Entre as definições de controlador na resolução 215 da CVM está o acionista que "usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia". Questionado, o GJP diz que o acordo de acionistas "não altera a condição da CVC Corp como corporation".

Os fundos da Apex que detêm participação na CVC são: Carbyne Travel Fundo de Investimento Financeiro, BRM Carbyne Voyage Fechado Fundo de Investimento Financeiro em Ações, Apex Vessel Fundo de Investimento Multimercado, AM Latitude Fundo de Investimento Financeiro em Ações, Propósito Previdência Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado - Responsabilidade Limitada e BRM Carbyne Jaguar Fundo de Investimento Financeiro em Ações.

O BRM Carbyne Crédito Estruturado FIC-FIDC, fundo de varejo do grupo Apex com quase 900 cotistas cujos saques foram bloqueados pelo BTG na semana passada, não integra o acordo de acionistas.

Outros acionistas com participação relevante na CVC são a gestora Opportunity (7,8%) e a WHG (5,2%).

As ações da CVC caíram 50,37% nos últimos seis meses e hoje valem R$ 1,35. No auge, em 2019, elas chegaram a valer mais de R$ 50. A empresa está avaliada na Bolsa em R$ 713 milhões.

Procurada, a GJP afirmou que "a deliberação da Assembleia tratou exclusivamente da concessão de um waiver para permitir que a participação conjunta dos signatários do acordo de acionistas ultrapassasse 25% sem acionar o mecanismo. A GJP, por ser parte interessada, não votou nessa deliberação." A GJP diz ainda que o responsável pelo fundo é Gustavo Paulus, filho do fundador Guilherme Paulus.

A CVC Corp diz não possuir "qualquer relação operacional ou financeira com a Apex, que é acionista da companhia, assim como os demais investidores" e que o acordo de acionistas foi celebrado "diretamente entre seus respectivos signatários, sem participação ou intervenção da CVC Corp". "Eventuais questões relacionadas à Apex ou aos termos e obrigações previstos no referido acordo dizem respeito exclusivamente às partes que o celebraram, não envolvendo a CVC Corp."

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