Brincar é també é socializar - Canva Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção e destaca o papel da família na construção de uma rotina de acolhimento, convivência e bem-estar

A importância dos cuidados com a saúde mental vem sendo cada vez mais discutida e esse olhar também precisa alcançar crianças e adolescentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Um estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) aponta ainda que, entre 2011 e 2022, as taxas de suicídio entre pessoas de 10 a 24 anos cresceram, em média, 6% ao ano, enquanto as de autolesões aumentaram 29% ao ano. O sofrimento emocional nessa fase pode estar relacionado a uma combinação de fatores individuais, familiares, sociais e ambientais. “Não existe uma única causa para o surgimento de quadros de ansiedade e depressão. Questões relacionadas à dinâmica familiar, dificuldades de socialização, pressão por desempenho escolar, conflitos, situações de violência ou bullying, além do excesso de exposição às redes sociais, podem contribuir para o sofrimento emocional quando não há uma rede de apoio adequada”, explica Marianna Pontual, psicóloga e professora da UNIFG Pernambuco. Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer são alguns sinais que merecem atenção. “Nem toda mudança de comportamento significa necessariamente um transtorno mental, mas alterações persistentes ou que provocam prejuízos na rotina precisam ser acolhidas e avaliadas. O primeiro passo é criar um ambiente no qual a criança ou o adolescente se sinta seguro para falar sobre o que está sentindo, sem medo de julgamentos”, orienta a psicóloga. Pequenas mudanças, novos hábitos Entre as estratégias que podem contribuir para o bem-estar emocional está o uso de atividades lúdicas. Brincadeiras, jogos, desenhos, música e dança favorecem a expressão, a criatividade, a interação e o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. “O brincar é uma das principais formas de expressão da criança. Muitas vezes, aquilo que ela não consegue explicar diretamente pode aparecer em uma brincadeira, em um desenho ou em uma história que ela cria. Além disso, momentos de lazer compartilhados fortalecem vínculos e ajudam a construir um ambiente de confiança”, afirma Marianna. A atividade física também pode integrar ações de promoção da saúde mental. Exercícios, esportes e brincadeiras que envolvem movimento favorecem a socialização e ajudam na construção de uma rotina equilibrada, especialmente quando praticados de forma prazerosa e adequada à faixa etária. “O objetivo não deve ser transformar a atividade física em uma obrigação ou em mais uma fonte de cobrança. É importante que crianças e adolescentes encontrem formas de movimento de que gostem, seja praticando um esporte, andando de bicicleta, dançando ou brincando ao ar livre”, destaca Max Dornelas, professor de Educação Física da UNIFG.