A demissão de Duarte Gomes do cargo Diretor Técnico da Arbitragem da FPF por uma "incompatível com os princípios e valores", garantindo que não estavam reu...

A demissão de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico da Arbitragem da FPF caiu como uma 'bomba' no futebol português nos últimos dias. Inicialmente, não foram revelados os motivos que levaram o ex-árbitro a abandonar funções, mas a imprensa nacional apontou a uma perda de confiança em Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem.

Depois dos rumores, a Federação Portuguesa de Futebol anunciou esta quarta-feira que o caso foi entregue ao Ministério Público, depois de Duarte Gomes ter feito uma participação formal junto do organismo que tutela o futebol português. Ao fim de poucas horas, Duarte Gomes emitiu um extenso comunicado, no qual explicou as razões que o levaram a renunciar ao cargo.

"No final da época passada, um árbitro de futebol profissional partilhou comigo um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram-me preocupações institucionais muito relevantes", começou por explicar.

De seguida, o ex-árbitro assegurou que procurou esclarecer as denúncias, mas acabou por perceber que "não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial no desempenho do cargo de Diretor Técnico de Arbitragem".

Por essa razão, considerou que não estavam reunidas as condições para dar continuidade às suas funções.

"Por essa razão e entendendo que a minha continuidade em funções seria incompatível com os princípios e valores que sempre pautaram a minha vida, tomei a decisão de me demitir", salientou.

Posto isto, Duarte Gomes afirmou estar disponível para "prestar todos os esclarecimentos", garantindo que nunca divulgou "nomes e factos concretos" em relação a este caso.

O caso não deixou ninguém indiferente, levando a que o FC Porto e o Benfica rapidamente mostrassem preocupação publicamente. O clube dos dragões afirmou que a "gravidade institucional das denúncias impõe transparência, responsabilidade e respostas urgentes".

Após lembrar que a "arbitragem é um pilar essencial da credibilidade do futebol português", o FC Porto exigiu uma "intervenção institucional" a Pedro Proença, presidente da FPF.

Pouco depois, foi a vez de o Benfica tomar uma posição pública com a garantia de que já deu início às "formalidades para a marcação de uma reunião de urgência com Pedro Proença".

O clube da Luz afirmou que vai "exigir esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva".

Ao contrário do Sporting, que continua em silêncio, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional também pediu esclarecimentos, reforçando o papel da arbitragem na estabilidade das competições profissionais.

A demissão de Duarte Gomes continua a dar que falar e o caso ganhou um novo contorno durante a tarde desta quarta-feira. Isto porque o Conselho de Justiça da FPF instaurou um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem.

"CJ da FPF deliberou instaurar um processo de inquérito, com correspondência material ao processo de averiguações, para apuramento de eventual prática de infração disciplinar por parte de Luciano Gonçalves", pode ler-se no comunicado.

É de notar que Luciano Gonçalves enviou ao presidente do Conselho de Justiça da FPF uma participação disciplinar sobre os motivos para a demissão de Duarte Gomes.

O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) instaurou hoje um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem (CA) federativo, após a saída de Duarte Gomes da direção técnica da arbitragem, anunciou o organismo.