Oito jogadores cumpriram suspensões automáticas; questionada, entidade não explica critérios

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Luciano Trindade Eduardo Marini

Nova Jersey (EUA) e São Paulo

A Copa do Mundo de 2026 teve 13 jogadores expulsos ao longo dos 93 jogos disputados até o confronto desta segunda-feira (6), entre Espanha e Portugal, pelas oitavas de final. Apenas Folarin Balogun, atacante da seleção dos Estados Unidos, principal anfitrião do torneio, teve o cumprimento da punição automática suspenso pelo Comitê Disciplinar da Fifa.

Em nota, a entidade máxima do futebol mundial afirmou que não reverteu a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela expulsão do jogador durante a partida contra a Bósnia, na quarta-feira (1º), na abertura do mata-mata. Afirmou que, com base no artigo 27 de seu código, apenas decidiu "sobre as consequências disciplinares posteriores à expulsão".

A Fifa afirma que o Código Disciplinar dá ao Comitê poder discricionário para suspender a execução de qualquer sanção disciplinar, exceto em casos de manipulação de partidas. No caso de Balogun a decisão teria considerado "circunstâncias específicas do incidente e as provas disponíveis".

A entidade, porém, não deu detalhes de quais foram essas circunstâncias. Questionada pela Folha no início da noite desta segunda, a Fifa não respondeu até a publicação deste texto por que os demais jogadores expulsos ao longo do Mundial não tiveram o mesmo benefício concedido a Balogun.

Até o momento, a única diferença exposta entre o caso do jogador americano e os demais é interferência direta do presidente dos EUA, Donald Trump, admitida por ele próprio.

Nesta segunda, o republicano afirmou que telefonou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para interceder pelo atacante americano. Trump disse que não achou falta de Balogun no bósnio Tarik Muharemovic, mas admitiu que nem sequer sabia o que era um cartão vermelho até o lance. "Quando descobri, pensei: 'Só pode ser uma brincadeira'."

Ele também lançou dúvidas sobre o árbitro Raphael Claus, a quem classificou como "suspeito". Embora a Fifa não tenha mencionado o nome do brasileiro em seu comunicado, a CBF saiu em defesa do árbitro e disse que "refuta qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus".

Claus só expulsou o Balogun após uma sugestão do VAR, comandado naquela partida pelo venezuelano Juan Soto.

Ao admitir a conversa com Trump, Infantino disse que tentou explicar ao presidente dos EUA como funcionam os processos da Fifa. "Expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes", afirmou o cartola em nota.

Dos 13 jogadores que receberam cartão vermelho durante a Copa do Mundo, oito cumpriram suspensão automática. Themba Zwane, da África do Sul, pegou o maior gancho após sua expulsão na estreia contra o México. Com três jogos a cumprir, ele não voltou a jogar no torneio.

Agustín Canobbio, do Uruguai, Piero Hincapié, do Equador, e Rebin Sulaka, do Iraque, não tiveram tempo de cumprir a suspensão automática no torneio devido à eliminação de suas equipes.

O inglês Jarell Quansah, expulso no jogo das oitavas de final contra o México, vai ficar fora do duelo com a Noruega, pelas quartas de final.

Jogadores que cumpriram suspensão na Copa

Não cumpriram por eliminação