Influência de jogadores e treinadores sul-americanos ajudou a profissionalizar o futebol japonês
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28.jun.2026 às 18h00
Osaka (Japão) | BBC News Brasil
A seleção brasileira entra em campo na segunda-feira (29) para enfrentar o Japão na Copa do Mundo em um duelo que carrega uma relação construída ao longo de décadas. Antes de se consolidar como uma das principais forças do futebol asiático, o Japão teve no Brasil uma referência dentro e fora de campo, com influência de jogadores, treinadores e dirigentes brasileiros.
Hoje, o cenário é outro. O Japão chega como uma seleção capaz de competir em alto nível, segundo os especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Para Zico, um dos brasileiros que mais contribuiu para a evolução do futebol no Japão, o confronto exige atenção.
"É um jogo em que os dois times propõem jogo. O Brasil precisa ter cuidado com a velocidade e a movimentação dos caras, porque eles não param", afirmou Zico a um podcast no sábado.
"A relação do futebol brasileiro com o japonês é como a de professor e aluno, mestre e discípulo", resume o jornalista esportivo Tiago Bontempo, autor do livro "Samurais Azuis: a História do Futebol no Japão". Para ele, a Copa do Mundo de 1970, a primeira transmitida pela televisão japonesa, marcou o início da aproximação de uma geração de jogadores com o futebol brasileiro.
Na década seguinte, o Yomiuri, atual Tokyo Verdy, ficou conhecido como o "time dos brasileiros" por ter como principais nomes Jorge Yonashiro e Ruy Ramos, responsáveis por introduzir um estilo de jogo baseado na troca de passes e na técnica.
A criação da J.League (a Liga de Futebol Profissional do Japão), na década de 1990, ampliou essa influência. Após a conquista do tetracampeonato mundial pelo Brasil, em 1994, clubes japoneses passaram a contratar jogadores brasileiros que integravam ou já haviam defendido a seleção brasileira, como Dunga, César Sampaio, Zinho e Jorginho.
"Até hoje a maioria dos jogadores estrangeiros no Japão são brasileiros", afirma Bontempo.
Muito antes de Zico, Toninho Cerezo e outros brasileiros ajudarem a impulsionar o futebol japonês, outro jogador abriu esse caminho. O primeiro brasileiro a atuar no país foi Nelson Yoshimura, ainda na década de 1960. Descendente de japoneses, ele fez sucesso a ponto de se naturalizar e defender a seleção japonesa.
"Por causa dele, os outros times japoneses também começaram a contratar brasileiros", afirma Bontempo.
Na época, porém, o futebol no Japão ainda era amador. As principais equipes pertenciam a grandes empresas e eram formadas por funcionários das fábricas, que conciliavam o trabalho com os treinamentos e as partidas. Clubes ligados a empresas como Nissan, Yamaha, Mitsubishi, Hitachi e Mazda dominavam as competições, enquanto o beisebol seguia como o esporte mais popular do país.
Segundo o comentarista da ESPN Ubiratan Leal, esse cenário começou a mudar no fim dos anos 1980, quando o futebol passou a atrair mais público e investimentos. As empresas ampliaram os aportes nos clubes e passaram a contratar jogadores de maior destaque.
"Um dos primeiros nomes de peso foi o zagueiro Oscar, titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982, que se transferiu para o Nissan ainda antes da profissionalização da modalidade", diz.
Nos anos seguintes, chegaram primeiro jogadores nikkeis (descendentes de japoneses) e, depois, brasileiros sem ascendência japonesa, como Ruy Ramos. Naturalizado japonês, ele se tornou um dos principais atletas do país nos anos 1980 e, ao lado de Kazuyoshi Miura, o Kazu, simbolizou a transição do futebol amador para o profissional.



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