De câmeras soviéticas a aplicativos: o que mudou na rotina dos detetives particulares Os filmes de Hollywood ajudaram a entalhar a imagem de um detetive particular na memória coletiva: sobretudo, chapéu e um olhar atento por trás de um jornal impresso, acompa…
Por Gabriella Ramos, g1 Campinas e Região
30/08/2026 05h00 Atualizado 30/08/2026
Detetives particulares de Campinas (SP) adaptaram sua rotina profissional devido ao avanço tecnológico e a mudanças comportamentais da sociedade.
Equipamentos antigos como câmeras analógicas deram lugar a celulares e dispositivos ocultos. A busca por rotas também migrou para aplicativos de navegação.
A atuação dos profissionais vai além de suspeitas de traição. Eles colaboram com investigações trabalhistas e criminais para auxiliar a Justiça.
O perfil de clientes para investigações conjugais mudou nos últimos anos. Atualmente, a procura divide-se igualmente entre homens e mulheres.
Uma comissão da Câmara aprovou, em maio de 2026, proposta que exige registro profissional dos detetives. A atividade é regida por lei de 2017.
De câmeras soviéticas a aplicativos: o que mudou na rotina dos detetives particulares
Os filmes de Hollywood ajudaram a entalhar a imagem de um detetive particular na memória coletiva: sobretudo, chapéu e um olhar atento por trás de um jornal impresso, acompanhando cada passo dos seus alvos. A realidade, porém, é um pouco mais digital do que isso.
Ao longo dos anos, a profissão precisou se adaptar às novidades tecnológicas e às mudanças de comportamento da sociedade. Com o aumento dos casos de feminicídio, por exemplo, o serviço de localizar ex-companheiras após o fim de relacionamentos foi retirado do catálogo.
🕵️ Em Campinas (SP), quatro profissionais ouvidos pelo g1 mergulharam em décadas de investigações e revelaram o que mudou no ramo de trabalho. Todos eles adiantaram que, apesar da constante transformação, uma máxima atravessa os anos: o sigilo.
Milton Silveira, detetive particular de Campinas (SP) que atua na área há 38 anos — Foto: Reprodução/Instagram
De câmeras soviéticas aos celulares
A mudança principal foi nos equipamentos. Silveira ainda lembra do início da carreira, quando vigiava os alvos usando uma câmera analógica da marca soviética Zenit. O Guia Quatro Rodas ocupava lugar fixo no painel do carro, anos antes de sequer imaginar a chegada dos aplicativos de navegação.
"Outro dia mesmo eu estava fazendo uma verificação de um material e pensei até em montar um museu para os detetives. Nossa, o que tem de coisas ali que eu falei 'Meu Deus, eu usava isso aqui'. Hoje as coisas tomaram um rumo totalmente diferente", relembrou o detetive.
Silveira relata que, em muitos casos, as câmeras profissionais deram lugar aos celulares ou até mesmo a equipamentos mais discretos, escondidos em gravatas ou bonés.
O detetive particular Eugênio Neto trabalha na área há cerca de duas décadas e também sentiu na pele as mudanças trazidas pela tecnologia. Ele ainda lembra de chegar em cidades pequenas e, sem sites de busca em mãos, pedir informações para pedestres ou em postos de combustíveis.
"Chegava em uma cidadezinha pequena e perguntava 'Onde fica a rua tal?'. O cara falava 'Você vai na casa de quem?'. Aí já queimava [a investigação], tinha que inventar uma história", relatou Neto, bem-humorado.
Novos medos, novas demandas
Apesar de as investigações conjugais ainda serem o carro-chefe, as mudanças sociais ao longo dos anos também mudaram as demandas. Neto afirma que depois da pandemia, por exemplo, passou a receber diversos contatos de pessoas com medo de sair de casa porque acreditavam estar sendo seguidas.


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