Sabe aquele familiar que todo mundo torce para não aparecer nos eventos de família? Donald Trump é esse cara. E Gianni Infantino é o cara que convida o pene...
Sabe aquele familiar que todo mundo torce para não aparecer nos eventos de família? Donald Trump é esse cara. E Gianni Infantino é o cara que convida o penetra desagradável para atrapalhar a festa. Como já fizera no Mundial de Clubes, arrastou Donald Trump para a premiação dessa Copa, apenas para precisar arrastá-lo do pódio, na tentativa de tirá-lo da foto oficial da campeã Espanha.
Talvez fosse impossível evitar sua presença na entrega de medalhas, ao lado da presidente do México e do primeiro-ministro do Canadá, como líderes dos três países-sede da competição, além do rei da Espanha. Entrar sozinho ao seu lado e convidá-lo para entregar com ele a taça aos vencedores foram escolhas de Infantino.
Já faz tempo que o presidente da Fifa escolheu lamber as botas de Trump, mas ainda surpreende sua incapacidade de preservar o momento mais glorioso da competição mais importante que sua entidade organiza. Poderia ter a decência, em respeito ao cargo que ocupa, de proteger o ápice da carreira de um atleta de futebol das garras de um homem sem nenhuma noção de decoro. Mas se nem da isonomia do torneio ele cuidou, para não se desgastar com o "migo", por que faria algo agora?
Como era esperado, passou vergonha. Primeiro, as vaias retumbantes do estádio diante da entrada da dupla dinâmica em campo. Depois, o claro desconforto de jogadores de ambas as seleções na presença de um líder responsável por guerras, perseguição a imigrantes, violência contra a mulher, declarações racistas, entre outros. Romero o ignorou sem constrangimento. Almada, Flaco López e Lisandro Martínez não olharam na cara de Trump. Borja Iglesias já tinha adiantado que esperava que o momento passasse rápido para que pudesse esquecê-lo. Nem Messi, que recentemente visitou a Casa Branca todo sorridente, fez questão de demonstrar afeição ao chefe de Estado. Suco de climão.
Na hora do troféu, para a surpresa de ninguém, Donald tentou permanecer no palco para o grande registro, puxando papo com os jogadores e se recusando a sair, a despeito dos gestos desesperados de Infantino. Rodri tentou mostrar o caminho da rua como a gente faz com aquele tio odioso que a gente nem queria que tivesse vindo. Como disse um jornalista da transmissão australiana: "Eles vão removê-lo dali na edição da foto".
Cômico, não fosse trágico.
O maior culpado dessa história nem é o presidente laranja. Era fácil prever que sua presença traria todo tipo de embaraço. Depois de deixar o troféu original do Mundial de Clubes com Trump, de lhe oferecer um prêmio da paz, de deixá-lo tocar no sagrado troféu da Copa do Mundo, Gianni, mais uma vez, escolheu agradar um poderoso em vez de cuidar das estrelas do espetáculo que gera toda a sua riqueza. Na frente de bilhões de espectadores.
De fato, não há vergonha que Infantino não esteja disposto a passar em nome desta "amizade". Terá valido a pena?
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