Trump rejeita desaceleração, enquanto empresas por trás da tecnologia falam em mecanismos para limitar os riscos

Trump rejeita desaceleração, enquanto empresas por trás da tecnologia falam em mecanismos para limitar os riscos

Igor Omilaev (via Unsplash) – 17.out.2023

15.set.2026 (terça-feira) - 9h57 Priorize o Poder no Google

O debate sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial e os riscos associados aos modelos mais avançados ganhou força nos últimos dias, com posições divergentes entre governos e empresas de tecnologia.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump (Partido Republicano) criticou o CEO da Anthropic, Dario Amodei, depois de o executivo defender a desaceleração no desenvolvimento dos sistemas de IA mais avançados. O republicano rejeitou, na 2ª feira (14.set.2026), a necessidade de novas barreiras à tecnologia. Disse que o principal mecanismo de controle deve ser um presidente forte e inteligente.

“O governo Trump impediu que ‘pessoas’ de IA fizessem ‘coisas’ más, ou potencialmente más, como Dario (Anthropic!), que agora finge ser um anjinho perfeito’”, escreveu o republicano.

A manifestação do presidente norte-americano se deu depois de Amodei publicar no sábado (12.set), em seu perfil no X, um texto em que disse que a velocidade recente de evolução dos modelos pode estar ultrapassando a capacidade de pesquisadores e empresas de garantir a segurança dos sistemas.

Amodei não defende interromper o desenvolvimento da IA, mas reduzir o ritmo para que verificações de segurança e testes acompanhem o seu avanço.

A discussão ganhou força depois da saída do pesquisador da Anthropic Jacob Coxon. Ao deixar a empresa, ele afirmou que “as pessoas que estão construindo IA acreditam sinceramente que ela pode acabar com todos nós até o fim da década”. O episódio reforçou o debate sobre os riscos da corrida por sistemas cada vez mais avançados.

Sam Altman, CEO e fundador da OpenAI, dona do ChatGPT, fez uma publicação concordando com Amodei. “Precisamos moderar o ritmo da inovação. Este tem sido um tópico primário das discussões que tivemos na OpenAI nas últimas semanas”, disse. Ele declarou que mudanças estão sendo avaliadas e que, em breve, terá “mais para compartilhar”.

O CEO da Tesla, Elon Musk, também se pronunciou. O executivo é dono da xAI, empresa que desenvolveu o chatbot de IA, Grok. Ele compartilhou o texto de Amodei e disse que o executivo “está certo”.

Na 2ª feira (14.set), a Microsoft apresentou um código de conduta para seus modelos de IA, estabelecendo limites para o desenvolvimento e a operação de sistemas avançados. O documento, chamado de “Humanist AI Code of Conduct”, diz que os modelos devem permanecer sob controle humano e não podem resistir a interrupções, correções ou desligamentos.

O documento está em consulta pública e deverá ser revisado antes de orientar o desenvolvimento dos modelos da empresa a partir de 2027. Eis a íntegra, em inglês (PDF – 451 kB).

Em publicações na Truth Social feitas na 2ª feira (14.set), Trump disse que o argumento de que a IA vai “dominar” o mundo “é uma farsa”.

Em um dos posts, o republicano escreveu: “As pessoas que dizem que a IA vai destruir o mundo, e que os data centers são prejudiciais à sua vizinhança, são as mesmas que diziam, há pouco tempo, que o mundo seria extinto pelas ‘mudanças climáticas’. Essa farsa não funcionou para elas, e agora já partiram para a próxima. Essas pessoas são revolucionárias, mas revolucionárias de uma causa maligna e perversa. Em breve, você descobrirá que elas trabalham para gente que não tem em mente os melhores interesses dos Estados Unidos”.

Na China, o governo adotou uma posição mais próxima à de Trump ao rejeitar o que classificou como alarmismo sobre os riscos da IA. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a tecnologia é uma “força para o bem” e que a disseminação de narrativas sobre ameaças e a transformação da IA em uma disputa entre países prejudicam a governança global.

“A China e os Estados Unidos, ambos como grandes potências em IA, devem fortalecer a cooperação”, declarou Mao Ning, porta-voz do ministério.

Ao mesmo tempo, o Ministério da Segurança do Estado da China reconheceu riscos associados ao uso da IA, principalmente para a segurança política e social. 

Em um manifesto publicado na revista estatal China Cyberspace, o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, delineou uma estratégia para regular o setor. Chen disse que agências de inteligência estrangeiras tentam explorar a IA para roubar segredos de Estado e travar uma guerra cognitiva contra a China.

O presidente da China, Xi Jinping (Partido Comunista da China), apresentou um plano abrangente para aprofundar os laços tecnológicos e econômicos entre as nações do Brics, propondo uma iniciativa conjunta de IA e a expansão de redes comerciais. A declaração foi feita durante uma cúpula em Nova Délhi, no domingo (13.set).

No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda) defendeu a criação de um órgão internacional para supervisionar o desenvolvimento da tecnologia. A proposta é criar um conselho de estabilidade tecnológica para coordenar ações de segurança relacionadas à IA entre países.

Carney afirmou, em entrevista à Bloomberg publicada na 2ª feira (14.set), que é necessária maior coordenação internacional para garantir que o desenvolvimento da tecnologia seja feito de forma segura.