Advogados argumentam que ministro faz parte do caso por ter usado mesmo avião ligado a Willer e Vorcaro

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1º.nov.2026 às 17h42 Atualizado: 1º.nov.2026 às 19h05

A defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, nesta sexta-feira (30), que o ministro Alexandre de Moraes seja considerado impedido para relatar o inquérito que apura a relação entre o senador e o advogado Willer Tomaz. A solicitação foi dirigida ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.

Além disso, os advogados argumentam a Fachin que o caso deveria ser relatado pelo ministro André Mendonça e pedem a redistribuição do inquérito.

A investigação apura se Flávio e Willer tinham uma sociedade indireta para lavar dinheiro —inclusive por meio de uma casa de aposta.

Foi no âmbito desse inquérito que a Polícia Federal pediu e Moraes autorizou o cancelamento dos passaportes brasileiros e a entrega do passaporte italiano de Flávio após ele ter perdido a eleição presidencial para Lula (PT) no domingo (25). O senador não entregou os documentos, saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e fugiu para os Estados Unidos.

A defesa de Flávio pede ainda a revogação das medidas cautelares impostas ao senador. Além da entrega e cancelamento dos passaportes, Moraes havia determinado que Flávio e Willer não mantenham contato.

Nesse ponto, os advogados buscam rebater os argumentos de Moraes para determinar a entrega dos passaportes, mas não mencionam a fuga de Flávio para o exterior na terça-feira (27), que é ignorada na peça.

Os advogados dizem que o banco Santander negou que Flávio fosse "usuário master" nas contas de uma das empresas de Willer e que o risco de fuga não poderia estar baseado em declaração de terceiro. Na véspera da eleição, Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que o irmão deveria fugir se perdesse.

Tampouco o risco de fuga poderia ser baseado no discurso de Flávio após a derrota, dizem ainda os defensores. "Questionar o resultado de um pleito pelas vias institucionais não é, nem pode ser, indício de fuga", dizem.

No total, foram três peças protocoladas, assinadas pelos advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro.

Caso o STF não reconheça o impedimento de Moraes, os advogados pedem que, ao menos, sua suspeição seja reconhecida.

A defesa argumenta que Moraes está impedido de conduzir o caso porque a esposa do ministro tem relação com uma das sociedades de Willer investigadas no inquérito. Moraes, inclusive, já utilizou o mesmo avião que é apontado pela PF como elo entre Flávio e Willer —e que tem relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Entre as diversas viagens compartilhadas entre Willer e Flávio, a PF identificou um voo de janeiro de 2025, quando o senador, sua mulher, duas filhas e o advogado viajaram de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília. O trajeto foi realizado no jato Legacy 650 (prefixo PP-NLR), de propriedade da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.

O capital da sociedade Fraction 024 se dividia em três partes iguais. Uma era de Willer, e outra, de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira foi comprada pela Prime You no fim de 2024 —Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 a setembro de 2025.

Como revelou a Folha, Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele, entre maio e outubro de 2025.