Judy Vassallo, 89, é uma professora de artes aposentada que mora sozinha em um bairro ao norte do centro de Filadélfia. Ela costumava pegar seu Honda CRV 2002 para visitar amigos ou ir ao centro para consultas médicas e aulas de pilates. Leia mais (06/24/2026 - 08h00)

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Judy Vassallo, 89, é uma professora de artes aposentada que mora sozinha em um bairro ao norte do centro de Filadélfia. Ela costumava pegar seu Honda CRV 2002 para visitar amigos ou ir ao centro para consultas médicas e aulas de pilates.

Mas desde que os preços da gasolina dispararam após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no final de fevereiro, ela não aceitou pagar quase o dobro para encher o tanque. Em vez disso, Vassallo começou a pegar o ônibus municipal, gratuito para idosos. Ela descobriu que gostou —economizando em gasolina e multas de estacionamento.

"Uma vez que se torna um hábito, não é algo penoso, está incorporado ao padrão do meu comportamento", disse Vassallo. "Você vai para o centro, vai pegar o ônibus. E estou descobrindo que é muito mais fácil."

Os americanos são profundamente apegados aos seus carros, e seus gastos em postos de gasolina aumentaram 21% de fevereiro a maio. Mas essa capacidade de gastar tem limites. Segundo a Dow Jones Energy, o consumo foi 6,1% menor em maio em comparação com o ano anterior.

Parte disso é uma tendência de longo prazo devido à crescente eficiência dos veículos de passageiros, disse Denton Cinquegrana, analista-chefe de petróleo da empresa, e cerca de metade é provavelmente uma resposta do consumidor aos preços.

Grande parte dessa resposta vem de pessoas que renunciam a viagens não essenciais, particularmente aquelas com renda mais baixa. Mas nos últimos anos, os americanos também ganharam capacidade de adaptação, à medida que mais empregadores passaram a permitir o trabalho remoto e mais veículos elétricos chegaram ao mercado.

Apesar da natureza dependente do carro da maioria das cidades americanas, o choque de preços faz diferença: após o embargo do petróleo dos anos 1970, o consumo de petróleo per capita nos EUA caiu e não retornou ao mesmo nível por 20 anos.

Algumas dessas mudanças podem durar. A crise energética gerou padrões federais de economia de combustível que estimularam inovações para economizar gasolina no design de veículos, mantendo o consumo mais baixo do que poderia ser, mesmo com a recuperação das viagens de carro.

Na última década, estudos mostraram que os preços da gasolina afetam o consumo quando estão subindo e quando estão caindo. De acordo com um artigo de 2021, os motoristas se tornaram mais responsivos aos preços altos ao longo do tempo, provavelmente pelo choques nos preços de energia que os levaram a experimentar diferentes formas de transporte.

Uma opção que se tornou mais disponível ultimamente é a energia de bateria. Alguns modelos populares, como o RAV4 e o Camry da Toyota, agora estão disponíveis apenas com motores híbridos.

Segundo a Cox Automotive, os híbridos têm saído muito das concessionárias desde que a guerra começou. E mesmo que o Congresso tenha cortado os incentivos da era Biden para veículos totalmente elétricos, há o suficiente deles saindo de contratos de aluguel subsidiados para abastecer um mercado de usados saudável.

"Vimos uma mudança na consideração [das pessoas sobre elétricos]", disse Stephanie Valdez Streaty, diretora de insights do setor na Cox. "Pessoas que precisam comprar um carro estão pesquisando online essas opções que são mais econômicas em combustível."

Mas essa não é uma opção para a maioria das pessoas. Os preços dos veículos subiram acentuadamente desde a pandemia, as taxas de juros permanecem altas e os trabalhadores de baixa renda estão sob pressão à medida que o crescimento salarial desacelera.

Isso está levando os consumidores a adiar compras de alto valor, contrariando o que de outra forma poderia ser um ciclo de transição mais rápido para carros elétricos.