A deputada australiana que foi atropelada na segunda-feira perdeu a segunda perna, anunciou o marido. Phil Haines referiu, no entanto, que a esposa, de 65 anos,...

Helen Haines, a deputada australiana que foi atropelada na segunda-feira, foi submetida novamente a uma cirurgia esta quarta-feira e os médicos tiveram de lhe amputar a segunda perna. A mulher está agora estável, mas a "recuperação será difícil".

"A boa notícia é que a Helen está viva e estável. Isso é o mais importante para a nossa família. E acredito que, ao refletirmos, conversarmos e pensarmos sobre a Helen, os dois aspetos dela que consideramos mais importantes, enquanto família, são o seu coração e a sua mente", disse Phil Haines, em declarações no hospital de Melbourne para o qual Haines foi transferida após Wangaratta.

O marido da deputada independente agradeceu a todos os que estiveram envolvidos nos esforços após o "incidente horrível" e disse que a "recuperação de Helen será um longa e difícil" - destacando que a esposa, com quem está casado há quase 40 anos, "é uma lutadora".

"Ela é uma pessoa determinada que, com o nosso apoio e amor, fará o possível para se recuperar. E é isso que esperamos", referiu.

Phil Haines convidou ainda a governadora-geral da Austrália, Sam Mostyn, por quem "a Helen tem tem o maior respeito", para estar consigo na conferência de imprensa.

Mostyn, por seu lado, apontou que ficou emocionada pelo convite para estar ali, ao lado da família de Helen. Falando não só como governadora-geral, como também como amiga da deputada, confessou que ainda há duas semanas, durante uma visita que fez ao lado de Helen, falou com a deputada sobre a urgência de "mais civismo".

"Como sempre, Helen pensava ativamente em maneiras a partir das quais a comunidade australiana pudesse unir-se e ser incentivada a participar mais da nossa democracia - a nossa grande democracia - com o mesmo tipo de  envolvimento que ela sempre demonstrou: pautado pela gentileza, pelo cuidado e pelo respeito", recordou.

Mostyn referiu ainda que a atitude perante esta situação deveria ser semelhante àquela que Helen Haines teria, nomeadamente, a de recordar os "bons corações" que existem e não "lutar uns com os outros".

Helen Haines foi atropelada à saída do seu gabinete em Wangaratta, na segunda-feira. A informação foi avançada pelo primeiro-ministro da Austrália logo nesse dia, tendo Anthony Albanese referindo que se tratava de um "ataque" e que as motivações para o atropelamento eram ainda desconhecidas.

Em conferência de imprensa, Albanese disse, desde logo, que o suspeito estava detido, tendo a família feito também uma declaração nesse mesmo dia.

Já na terça-feira, o pai do suspeito referiu que Helen Haines é amiga da família há mais de 20 anos. O pai do detido, Rodney Nugent, e a companheira, Christine Cunningham, divulgaram um comunicado no qual descrevem a deputada como uma pessoa "profundamente respeitada" na comunidade local e manifestando-lhe apoio.

"A Helen é nossa amiga há mais de 20 anos, e o que lhe aconteceu ontem [segunda-feira] é devastador e incompreensível", declararam os familiares do acusado.

Também na terça-feira, foi conhecido que as autoridades acusaram formalmente o suspeito de "realizar um ataque direcionado".

Haines, que representa a circunscrição de Indi, no estado de Victoria, desde 2019. O detido, residente em Tarrawingee, perto de Wangaratta, foi um membro ativo do grupo ambientalista Save our Strathbogie Forest (Salvar a Floresta de Strathbogie), que se opõe ao corte de árvores. No entanto, o homem já não mantinha contacto com a organização desde a pandemia de covid-19, segundo noticiou a ABC.

A Polícia de Victoria está a coordenar a investigação com o apoio da Polícia Federal Australiana e dos serviços de informações.

O acusado vai continuar detido até quarta-feira, quando comparecerá perante o Tribunal de Wangaratta, localidade a oeste de Melbourne onde ocorreu o atropelamento.

[Notícia atualizada às 08h18]

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