Hong Myung-bo, técnico da Coreia do Sul neste Mundial, recebeu ameaça de morte online

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Quando a Coreia do Sul foi eliminada da Copa do Mundo, seus torcedores não ficaram apenas tristes e decepcionados. Muitos ficaram furiosos.

Dezenas de pessoas se aglomeraram no saguão de desembarque de um aeroporto esta semana para vaiar e gritar insultos contra Hong Myung-bo, o técnico da equipe, que acabara de renunciar ao cargo. Uma ameaça de morte foi publicada online contra Hong, segundo a imprensa sul-coreana, e policiais foram mobilizados no aeroporto próximo a Seul para manter a ordem quando ele retornasse.

Essa raiva entre os torcedores após uma campanha decepcionante de uma seleção na Copa do Mundo não é incomum.

Veja alguns exemplos de reações extremas:

David Beckham estava entre as estrelas em ascensão da Inglaterra na Copa do Mundo de 1998. O jogador de 23 anos já havia deixado sua marca no torneio com um gol espetacular contra a Colômbia na fase de grupos. A Inglaterra então enfrentou uma rival de longa data, a Argentina, na primeira fase eliminatória.

No início do segundo tempo, Beckham se desentendeu com Diego Simeone e recebeu um cartão vermelho por chutar o jogador argentino. Com um homem a menos, a Inglaterra resistiu, mas acabou perdendo nos pênaltis. Com o sonho da Copa do Mundo arruinado, muitos torcedores —e os tabloides britânicos— culparam Beckham.

Ele enfrentou uma enxurrada de abusos e ameaças durante meses. Alguns o demonizaram por anos. Um pub em Londres pendurou uma imagem dele com uma corda no pescoço. O Mirror, um tabloide, publicou um alvo de dardos com o rosto dele no centro.

Quando retomou a temporada do futebol inglês com o Manchester United, foi vaiado de forma impiedosa e hostilizado por torcedores nos estádios rivais.

Beckham disse que foi cuspido e recebeu ameaças de morte. Isso afetou sua saúde mental e ele afirmou que não se sentiu seguro por anos. "Acho difícil falar sobre o que passei porque foi algo muito extremo", disse ele em um documentário da Netflix de 2023. "O país inteiro me odiava."

A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, destacou um aumento nos ataques racistas online e criou um serviço para monitorar publicações abusivas. O serviço constatou que os ataques racistas representam a maior categoria individual de comentários e publicações abusivas.

O comunicado afirma que houve "um aumento significativo no material objetivamente pior e mais ofensivo" em comparação com a mesma fase da última Copa do Mundo masculina, em 2022.

Este serviço de monitoramento também fornece evidências às autoridades policiais, e a Fifa afirmou ter identificado mais de cem casos de abuso durante a fase de grupos deste Mundial que atingiram o limite necessário para a instauração de processos judiciais.