Influenciadores e psicólogos tentam desconstruir discurso red pill nas redes sociais

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14.jul.2026 às 23h00

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O Dia do Homem, celebrado no Brasil neste 15 de julho, surgiu como uma brincadeira, conta o escritor Edson Marques, que afirma ser um dos idealizadores. A data teria sido proposta pela Ordem Nacional dos Escritores durante um jantar em São Paulo, em 1992. No ano seguinte, a Pensão Jundiaí, confraria comandada pela escritora Mariazinha Congílio, consolidou a efeméride premiando personalidades masculinas.

Ao longo dos anos, o dia tomou outro rumo e passou a ser adotado formalmente e usado para promover a conscientização da saúde masculina, estimulando o autocuidado. É diferente do Dia da Mulher, em 8 de março, reconhecido pela ONU como marco da luta por direitos de igualdade de gênero.

Na década de 1990, o papel do homem na sociedade, e até mesmo o que significa ser homem, não era algo debatido. A ideia de que isso fosse algo a ser revisado e transformado não era questionado como hoje, diz Guilherme Valadares, fundador do Papo de Homem, projeto destinado a eles que propõe discutir masculinidades.

"Falar sobre o tema em público praticamente não existia", diz Valadares, que fundou a plataforma em 2006. O debate então girava em torno de como ser mais viril e mais bem-sucedido, completa. "Conversar sobre masculinidade existia como piada de revista masculina, como dica de comportamento e uma obrigação. Hoje se fala em masculinidades, no plural."

A efeméride chega em 2026 cercada de debates sobre a crise da masculinidade hegemônica, o crescimento do movimento red pill e a explosão de "cursos para macho".

Por outro lado, mais homens estão se abrindo ao debate de desigualdade de gênero e buscando ser melhores pais, filhos e maridos, diz Valadares. Um estudo nacional feito pelo Instituto Papo de Homem em parceria com o Pacto Global da ONU - Rede Brasil, em 2023, mostra que 9 a cada 10 homens adultos gostaria de participar de um programa que os ajudasse a desenvolver equilíbrio emocional, atitudes de responsabilidade, respeito e cuidado.

O instituto também ouviu garotos de 13 a 17 anos. Seis em cada dez deles disseram ter pouca ou nenhuma referência masculina com quem convivem no cotidiano, e 7 em cada 10 querem aprender como tratar meninas e mulheres com respeito, igualdade e sem violência.

Há um movimento progressista de mudança das masculinidades, diz Valadares. O estereótipo de homem analfabeto emocional, que não sabe pedir ajuda e é obcecado com trabalho, performance, dinheiro, conquistas sexuais e poder, no entanto, ainda é comum. "Isso atravessa gerações de modo quase intacto, porque é uma mudança que se transmite menos por discurso e mais por exemplo, dentro de casa, entre pai e filho, entre grupos de amigos", explica.

Eles carregam os mesmos roteiros internos de pais ou avós, "tentando operar num mundo que já não corresponde a esses roteiros", completa. "Essa defasagem entre o que mudou fora e o que não mudou dentro é uma das chaves para entender o momento atual." Por outro lado, o contramovimento reacionário ganha força globalmente.

O debate da crise da masculinidade voltou a ser aquecida na esteira de produções como a série "Adolescência" (2025), da Netflix, e de recordes de casos de feminicídio, diz Pedro de Figueiredo, fundador do Memoh (Homem, de trás para frente), projeto criado em 2017 que oferece encontros grátis para discutir masculinidade em grupo.

Para Figueiredo, no entanto, trata-se da manutenção de uma crise que existe há mais tempo. Ele observa dois caminhos para lidar com esse incômodo. Um deles se manifesta numa vergonha, que o publicitário vê de forma positiva. "Ela precisa ser estimulada. É um sintoma de que você se importa. Esse constrangimento inicial vira um incômodo a ponto de se mobilizar", diz ele.

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O outro caminho é o masculinista: o homem ressentido terceiriza a responsabilidade para alguém. Esse movimento prega que os homens são vítimas do feminismo. Eles buscam reestabelecer a estrutura privilegiada que funcionava até então para os homens.