Instituição lucrou R$ 279,4 milhões no terceiro trimestre, alta de 10% ao ano; digitalização é apontada como pilar da expansão
O Banco Mercantil registrou lucro líquido de R$ 279,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 10% na comparação anual. O resultado marca o 16º trimestre consecutivo de lucro recorde da instituição, em uma trajetória de crescimento iniciada em 2022.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) atingiu 39,4% em 12 meses, enquanto a carteira de crédito totalizou R$ 25,3 bilhões no período, avanço de 17% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O crédito consignado foi o destaque, com crescimento de 27% na comparação anual.
Em entrevista ao CNN Money, o CFO do Banco Mercantil, Paulino Rodrigues, atribuiu a sequência de resultados positivos à capacidade da instituição de administrar as oscilações do cenário macroeconômico nos últimos quatro anos.
Segundo o executivo, a variação da taxa básica de juros exigiu atenção à gestão financeira do banco, especialmente diante do descasamento entre os empréstimos, majoritariamente prefixados, e as captações, atreladas ao CDI.
"Hoje a gente tem aprendido a lidar com essa volatilidade macroeconômica, não é de hoje", afirmou. Rodrigues também destacou a evolução dos resultados ao longo do período. "Nós começamos essa série com um resultado trimestral de R$ 40 milhões, e agora encerramos esse terceiro tri com um resultado de quase R$ 280 milhões", disse.
A composição da carteira de crédito também contribui para a estratégia de controle da inadimplência. De acordo com Rodrigues, 83% dos empréstimos do banco possuem algum tipo de garantia, com destaque para o consignado destinado a aposentados e pensionistas do INSS.
O executivo reconheceu, porém, pressões pontuais na inadimplência, principalmente no consignado privado. Segundo ele, o produto, regulamentado recentemente, ainda enfrenta dificuldades operacionais no mercado.
O endividamento das famílias brasileiras também foi citado como um fator de atenção. Apesar desse cenário, o retorno sobre os ativos (ROA) permaneceu em 3,1%, estável em relação ao trimestre anterior.
A digitalização das operações foi apontada pelo CFO como um dos principais fatores para sustentar o crescimento da instituição sem exigir uma expansão proporcional da estrutura física.
Atualmente, mais de 80% das operações de crédito do banco são originadas digitalmente, sem intervenção humana, segundo Rodrigues. A instituição chegou a 10,6 milhões de clientes e abriu 61 novas agências no ano anterior, em um ritmo inferior ao crescimento da base de usuários.
O banco mantém como público prioritário os consumidores com mais de 50 anos, segmento que concentra sua atuação.
Outro pilar da estratégia é o Meu Mais, ecossistema de assistências e seguros voltado ao público acima de 50 anos, lançado em 2022. O serviço oferece três modalidades, com mensalidades de R$ 29,90, R$ 49,90 e R$ 79,90, e ticket médio de aproximadamente R$ 50.
Entre os benefícios estão descontos em farmácias e acesso a consultas médicas. Segundo Rodrigues, o produto contribui para ampliar a receita com prestação de serviços e fortalecer o relacionamento com os clientes.
"A gente vem desenvolvendo esse portfólio e complementando, buscando criar um relacionamento com o cliente que vá além do crédito", concluiu o executivo.



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