Discussão se deu durante debate sobre análise de referências a integrantes da Corte

Discussão se deu durante debate sobre análise de referências a integrantes da Corte

Divulgação STF - 9.set.2025

de Brasília 15.set.2026 (terça-feira) - 21h05 Priorize o Poder no Google

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, citou nesta 3ª feira (15.set.2026) referências a Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça em documentos do caso Banco Master. A declaração foi dada durante o julgamento que analisa se deve ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Dino disse que o procedimento adotado no caso de Alexandre de Moraes poderá levar o Supremo a realizar novas sessões sempre que surgirem referências a outros ministros.

“As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André. Nós vamos parar onde?”, declarou.

Fux interrompeu Dino e negou ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro, fundador do Master. “Mensagem comigo não tem. Não tem, não, senhor”, afirmou.

Dino respondeu que poderia haver mensagens de terceiros sobre Fux. O ministro, então, negou qualquer relação com Vorcaro. “Pode ter alguém falando de mim. Comigo, não. Nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele”, disse Fux.

Dino afirmou que as referências poderão ser esclarecidas posteriormente.

“Vossa Excelência terá que esclarecer isso num momento próprio”, declarou.

Kassio Nunes Marques também negou relação com o Banco Master. Disse que nunca julgou processos relacionados à instituição, que seu filho não prestou serviços ao banco e que nunca trocou mensagens com Vorcaro.

“Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”, declarou.

Kassio também disse ter “absoluta isenção” e citou seu voto pela manutenção das prisões de Vorcaro, do pai do banqueiro e de outros investigados.

Dino afirmou que a análise separada das referências a ministros poderá levar o STF a repetir julgamentos semelhantes nas próximas semanas.

“Nas próximas semanas, Vossa Excelência está condenado a marcar dezenas de sessões iguais a esta”, disse ao presidente da Corte, Edson Fachin.

“E aí nós vamos ficar semanas debatendo isso”, acrescentou.

Dino defendeu a análise conjunta das situações e pediu vista da questão de ordem, interrompendo o julgamento.

Assista ao julgamento:

Em um ineditismo na história do Supremo, os ministros iniciaram na manhã desta 3ª (15.set.2026) o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal que indica uma relação de um integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.

O caso teve início em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, tornou público um relatório que identifica uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

O relatório indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, o ministro André Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a PF poderá ou não prosseguir com as apurações.