O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Nilton David, defendeu nesta quarta-feira (23) que a autoridade faça movimentos "suaves" e "previsíveis". Ele participou do evento J. Safra Investment Conference 2026, promovido pelo Banco J. Safra, em Sã…
O diretor de política monetária do Banco Central (BC), Nilton David, comparou o estágio da taxa de juros atual a um carro que trafega em “estrada com neblina”. Durante o evento do Banco J. Safra, em São Paulo, David defendeu a importância de movimentos “suaves” e “previsíveis” na Selic, porque ainda não é possível enxergar “além” da neblina.
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David comentou sobre o ambiente de incerteza global e os choques de oferta sobre os preços. No caso mais recente, os conflitos no Oriente Médio adicionaram graus de imprevisibilidade sobre os efeitos na inflação. Para o diretor, o preço do barril do petróleo está se consolidando agora em um patamar mais elevado.
“As reservas de petróleo foram se exaurindo, e agora o esperado é que, caso haja uma resolução pronta desse conflito, teremos um período de petróleo um pouco mais lento para voltar há alguns meses atrás”, disse. Os preços do barril voltaram a subir diante de possíveis novos ataques no Estreito de Ormuz e com investidores repercutindo a possibilidade de uma interrupção das exportações americanas de diesel.
O diretor do BC comparou o ambiente incerto a dirigir um carro em uma estrada com neve e neblina. David disse que os choques carregam elementos diretos e indiretos de primeira e segunda ordem que impactam a inflação. O objetivo do BC é não permitir que uma perturbação se transforme em inflação perene.
“Tem que diminuir a velocidade, manter os movimentos bastante cirúrgicos na direção, no acelerador e no freio e trazer previsibilidade, porque a sua capacidade de chegar além ficou bastante limitada”, disse David. “A prescrição é sempre fazer a política monetária de forma mais suave, cautelosa e bastante atenta, minimizando solavancos.”
Em outro momento do discurso, David disse que é difícil saber o quanto de resquícios os choques vão deixar e, por isso, o BC mantém “guarda” alta. “Temos feito calibrações. A ideia é terminar esse processo em taxa restritiva. A porta está aberta. Não está decidido nada, exatamente pela mesma ideia da neblina, que não nos permite enxergar muito além”, afirmou, enfatizando que o ciclo de queda na Selic não é uma flexibilização monetária, mas uma “calibração” de um nível já restritivo.
O diretor voltou a dizer que o BC manteve a Selic em nível elevado por período bastante prolongado e retardou o início de cortes de juros em relação a parte das projeções do mercado. Defendeu que há “cada vez mais sinais” de que o nível de restrição tem surtido efeito para levar o crescimento econômico para dentro do nível do PIB potencial brasileiro, ainda que o nível das incertezas continue. A taxa básica está em 13,75% ao ano.
“Hoje, mais recentemente, a gente tem dados de inflação nas partes mais cíclicas do consumidor dando sinais já para baixo. [...] A gente ainda está com nível de atividade acima do potencial.”


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