Enquanto presidente celebra avanços diplomáticos em Nova York, relatório das Nações Unidas cobra recomposição do quadro de auditores-fiscais no país

Priorizar nos meus resultados Google Durante seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, 22, o presidente Lula foi aplaudido ao denunciar o tráfico transatlântico como crime contra a humanidade. Apesar do prestígio diplomático e da importância do posicionamento institucional adotado pelo chefe do Executivo, a própria ONU alerta para os desafios práticos no combate ao trabalho escravo contemporâneo em território nacional.

A Organização das Nações Unidas aponta que o Brasil carece de investimentos estatais para supervisionar de forma efetiva as relações de trabalho, estrutura diretamente impactada pela falta de recursos financeiros, tecnológicos e, especialmente, de pessoal.

Em documento apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, em 11 de setembro, a relatoria especial sobre formas contemporâneas de escravidão constatou a existência de um conjunto robusto de leis no país, mas apontou falhas na fiscalização, principalmente em áreas rurais e remotas. O cenário perpetua a vulnerabilidade de grupos historicamente marginalizados, sendo que mais de 80% dos resgatados em condições análogas à escravidão são pessoas negras. No cerne da questão está a resistência do governo em ampliar o quadro de auditores-fiscais do trabalho.

Mesmo diante da cobrança da ONU, representantes do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos têm repassado a interlocutores que o governo federal não prevê a recomposição de pessoal, o que distancia o discurso do presidente Lula de ações concretas que erradiquem o problema.