Com capacidade para alterar rotinas e hábitos de consumo, Copa do Mundo deve movimentar mais de R$ 100 milhões na economia catarinense

Copa do Mundo movimenta economia em SC e vira oportunidade de negócio (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total; REUTERS)

A Copa do Mundo tem a capacidade de mudar a rotina de milhões de pessoas, alterar horários de trabalho e unir amigos para acompanhar os jogos, mas também se mostra um grande motor econômico. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae/SC), a competição deve injetar entre R$ 115 milhões e R$ 123 milhões na economia do Estado.

Se a Seleção Brasileira avançar e houver maior adesão do público, a movimentação pode ultrapassar R$ 130 milhões. Estabelecimentos catarinenses apostam em promoções, cardápios temáticos e eventos para transformar o interesse gerado pelo torneio em um cenário positivo no faturamento.

— É um período de ativação econômica concentrada, mas que traz pressões operacionais. O sucesso depende de equilibrar a empolgação comercial com um controle cuidadoso da gestão, da precificação e do fluxo de caixa — destaca o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf.

Além de impulsionar o consumo, a Copa estimula diversas iniciativas, desde bolões em empresas até ações voltadas para atrair torcedores durante os jogos.

Para além das grandes cifras que circulam durante a Copa, os bolões têm capacidade de envolver as pessoas e criar um clima de competitividade extra ao longo do torneio. Mesmo que realizado de maneira independente — a iniciativa dos funcionários não é ligada à natureza ou interesse da empresa —, o bolão gera engajamento e, de certa forma, coloca à prova o conhecimento sobre o mundial.

— O bolão cria um motivo extra para que todos acompanhem os jogos, conversem sobre os resultados e interajam mais no dia a dia. Além da competição saudável, ele gera momentos de descontração, brincadeiras e aproxima ainda mais a equipe, mesmo durante a rotina de trabalho — aponta Lorena Zabot, gerente de uma empresa de tecnologia voltada para o desenvolvimento de aplicativos.

Natural de Florianópolis, Lorena nota o engajamento dos colegas de trabalho no bolão, mesmo que não trabalhem presencialmente. Participam do bolão pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até de outros países, como Angola. Com oito participantes, a taxa de inscrição foi definida em R$ 20. O vencedor do bolão levará, ao final da Copa, todo o valor arrecadado via Pix.

— A ideia surgiu durante uma das nossas reuniões diárias, quando começamos a conversar sobre a Copa, palpites de placar, conversas sobre escalação e esperanças do time — detalha Lorena. 

A prática do bolão pode gerar problemas dependendo da forma que é realizada. Perante a lei, jogos de azar e rifas não autorizadas são contravenções penais. Porém, a Justiça costuma entender o bolão de Copa como uma atividade cultural e de integração, desde que não tenha fins lucrativos para quem organiza.

— Funcionários apostando valores altos, discussões em ambiente de trabalho ou pessoas perdendo tempo de expediente focadas nos palpites em vez das tarefas pode gerar demissão e até justa causa se houver excesso. A dica jurídica aqui é a moderação — afirmou a advogada Mariana Gonçalves em publicação nas redes sociais.

Mariana relata que a empresa pode proibir o bolão se considerar que vai atrapalhar a produtividade. Por outro lado, se permitir, o ideal é criar regras claras, como valores simbólicos estipulados na disputa e deixar claro que os palpites devem ser feitos fora do horário de trabalho.

— O segredo é manter a diversão sem virar bagunça — concluiu.

A Copa do Mundo também é vista como oportunidade para os empreendedores. Em Blumenau, o Refúgio Patagônia já percebe reflexos diretos da competição no público. Conhecido por transmitir eventos esportivos, o bar reforçou a estrutura para receber os torcedores durante os jogos e nota a diferença durante as partidas, especialmente quando a Seleção Brasileira está em campo.

— Como temos uma estrutura montada para a transmissão dos jogos ao vivo em telão e liberado ao público, temos em média 70% de acréscimo nos jogos, em relação ao movimento em dias sem jogos — pontua o proprietário do Patagônia, Jonathan Berkendoff.

Veja dicas do Sebrae para negócios durante os jogos

O Relatório de Inteligência realizado pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC estimou três cenários para vendas no estado. Se o Brasil ficar só nos jogos iniciais, o faturamento ficará entre R$ 108 milhões e R$ 114 milhões. Se ficar numa posição intermediária, pode movimentar de R$ 115 milhões a R$ 123 milhões, mas se for até os jogos finais pode superar R$ 130 milhões.

Mesmo sem um balanço consolidado, já que a Copa ainda está na fase inicial, a expectativa é de crescimento entre 25% e 30% no faturamento ao longo do torneio. Para Jonathan, o período representa uma oportunidade de colocar em prática a proposta do estabelecimento de reunir pessoas e celebrar.

— É um momento de fazer valer a nossa missão, que é ter um espaço democrático, aberto a todos, para famílias e amigos celebrarem juntos as conquistas do nosso Brasil. A alegria que contagia a todos a cada gol, não tem mesa que não celebre, não tem grupo que não se una, todos se abraçam, curtem e comemoram juntos gol a gol! Isso é marcante demais, ver a união do brasileiro aqui — afirma o empresário.

O cenário observado no Refúgio Patagônia reflete uma tendência percebida em diversos estabelecimentos durante a Copa do Mundo. Para atrair clientes e transformar os dias de jogo em momentos de maior consumo, bares e restaurantes investem em estratégias que vão além da transmissão das partidas.