Dia começou com especulação sobre ida do candidato derrotado à Argentina e terminou com confirmação da viagem aos EUA; petistas pedem prisão preventiva e dirigentes do PL dizem ter sido surpreendidos
Dois dias após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial e um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega de seus passaportes, o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil nesta terça-feira (27).
O senador teria cruzado a fronteira com a Argentina a pé e, posteriormente, pegado um voo até o Equador, de onde partiu para seu destino final, os Estados Unidos. Integrantes de seu entorno afirmam que o governo de Donald Trump sinalizou autorização de permanência no país.
A possibilidade da fuga de Flávio começou com a publicação do jornal argentino Infobae, afirmando que o senador teria cruzado a fronteira em um voo privado rumo à Argentina. Ao longo do dia, porém, diferentes versões sobre a localização do senador foram divulgadas.
À tarde, duas fontes informaram à CNN que Flávio já havia deixado o Brasil a caminho dos Estados Unidos. Mais tarde, uma pessoa a par da situação disse à CNN que o senador já tinha chegado ao país.
Na madrugada desta quarta-feira (28), porém, a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, confirmou que Flávio entrou no território argentino pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça-feira (27).
Entenda, a seguir, a sequência dos acontecimentos, o que dizem aliados e adversários políticos e quais podem ser os próximos desdobramentos jurídicos e políticos para Flávio Bolsonaro.
Após a publicação do jornal argentino, começaram a chegar as primeiras notícias sobre uma possível fuga de Flávio, que, segundo os próprios aliados, estava incomunicável.
O governo brasileiro acionou autoridades argentinas para apurar o possível deslocamento do senador para o país vizinhos, enquanto a PF (Polícia Federal) verificava registros nos postos de fronteira. Até aquele momento, o paradeiro do senador era desconhecido pelas autoridades brasileiras. As autoridades argentinas negavam que Flávio tivesse entrado no país naquela manhã.
O senador não respondia às tentativas de contato de integrantes de sua equipe jurídica e de aliados. Os advogados esperavam encontrá-lo para receber os passaportes e entregá-los à PF, conforme a determinação de Moraes. O prazo terminou às 11h, sem que os documentos físicos fossem apresentados.
A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador em seus sistemas. Flávio, porém, tem cidadania italiana desde 2023 e pode ter direito a um passaporte daquele país. Esse terceiro documento só pode ser cancelado por autoridades italianas.
A partir das 14h, fontes próximas à família Bolsonaro confirmaram que Flávio havia deixado o país durante a madrugada com a mulher e as duas filhas, em direção aos Estados Unidos. Uma fonte do governo americano ouvida pela Reuters também confirmou que o senador estava a caminho do país.
Contudo, posteriormente esses relatos foram confrontados por registros oficiais do órgão de imigração argentino. As primeiras movimentações do candidato derrotado teriam acontecido somente naquela noite.
Em uma publicação em suas redes sociais, a Direção Nacional de Migrações da Argentina relatou como se deu a chegada do senador ao país. Às 22h50, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ao seu lado, estava a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal.
Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a família embarcou em um voo privado operado pela empresa de taxi aéreo Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil. Conforme mostra o site FlightAware, a aeronave pousou no Equador às 5h46 no horário de Brasília.
Após uma pausa de cerca de 30 minutos, a aeronave decolou novamente. Dessa vez, para aquele que seria o destino final de Flávio: Miami. Ainda conforme o site FlightAware, a previsão é que o senador desembarque em um aeroporto executivo da cidade americana às 10h18 no horário brasileiro.
No último domingo (25), o irmão Eduardo Bolsonaro, que desde o ano passado mora no Texas, acompanhou a apuração da eleição na cidade da Flórida.
Segundo aliados, a saída foi motivada pelo receio de prisão após a decisão de Moraes. Eles também afirmaram que o governo Trump sinalizou a possibilidade de asilo político para Flávio e sua família.
O senador é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no caso Dark Horse, que apura o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Mendonça conduz o inquérito.
Outra investigação, de relatoria de Moraes, apura a prática, por Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi no âmbito deste inquérito e com base em um pedido da Polícia Federal que Moraes determinou na segunda-feira a entrega e o posterior cancelamento dos passaportes do senador.
A notícia da saída provocou desconforto entre integrantes do PL que haviam aconselhado Flávio a não fugir e adotar uma estratégia jurídica para contestar a eleição. Para uma ala, a fuga foi considerada "inaceitável".



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